21/07/2026
Comédia

Sexo, Amor e Traição

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O sucesso atual do cinema brasileiro, que teve um ano de ouro em 2003 ao conquistar 20% de seu mercado, tem seus efeitos colaterais. O pior deles é a procura de fórmulas para repetir as mesmas marcas vitoriosas dos campeões de bilheteria do passado. Tenta-se, então, fazer filmes parecidos aos que deram certo antes, bem como refilmagens. É o caso aqui, do remake de Sexo, Pudor e Lágrimas, produção mexicana de 1999, dirigida e roteirizada por Antonio Serrano, e que foi assistida por 6 milhões de espectadores por lá - um resultado que, com certeza, encorajou sua exportação.

Devidamente abrasileirado com o traslado da história para o Rio de Janeiro, elenco global e o molho Globo Filmes garantido pela direção de Jorge Fernando e produção de Daniel Filho, o filme tem ecos de outra produção brasileira - Avassaladoras, de Mara Mourão. Com a diferença de que Avassaladoras era visivelmente uma produção mais modesta - embora, ainda assim, tenha alcançado a respeitável audiência de 400.000 espectadores.

Sendo fórmula vista e repetida à exaustão, em filmes e novelas, não se deve esperar originalidade. O enredo gira em torno de dois casais, cujos relacionamentos já vacilantes são abalados pelo reaparecimento de um ex-. A fotógrafa Ana (Malu Mader) reclama mais carinho, sexo e atenção do marido Carlos (Murilo Benício), estressado por estar escrevendo um livro. Entra pela porta o amigo Tomás (Fábio Assunção), um bonitão avulso, sempre disposto a amar e que já teve um caso com Ana.

No apartamento que fica no prédio exatamente em frente ao de Ana e Carlos, o casal formado pelo publicitário Miguel (Caco Ciocler) e a ex-modelo Andréa (Alessandra Negrini) vive uma crise mais agressiva. Ele passa quase todo o tempo fora de casa, ela começou a beber demais. Quando se encontram, brigam ruidosamente, até dentro do carro, no meio da rua. Nada disso melhora quando encontram numa festa a ex- de Miguel, a zoóloga Cláudia (Heloísa Perissé).

Basicamente, o filme se equilibra na aproximação entre Tomás primeiro com Ana, depois também com Andréa, e Cláudia flertando com Miguel - com as conseqüências previsíveis. Dois personagens entram só como decoração - Nestor (Marcello Antony), um cirurgião plástico gay e afetado até o último fio de cabelo, e Yara (Betty Faria), como a mãe controladora de Carlos.

É uma história que sempre se pretende ligeira e procura divertir. Mas, ao final de tudo, fica a sensação de que já se tinha visto tudo isso antes, com mais sabor. Então, pra quê?
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