Brasileiro é co-diretor da animação "A Era do Gelo"
- Por Neusa Barbosa
- 21/03/2003
- Tempo de leitura 3 minutos
Saldanha vai à cerimônia neste domingo (23) mas acha que não será possível ao diretor Chris Wedge chamar toda a sua equipe ao palco, mesmo que ele queira. "Cada um estará sentado num canto e, além disso, este ano vai ser tudo mais sóbrio, mais dentro das regras, por causa da guerra", comenta em entrevista exclusiva, por telefone, de seu escritório na empresa Blue Sky, uma espécie de linha auxiliar da Fox Animation, em Nova York.
Assim que soube da indicação ao Oscar, o animador confessa que ficou animadíssimo. "Quando começamos a trabalhar neste projeto, em 1998, esse tipo de Oscar nem existia", observa. A categoria estreou em 2002, ano em que venceu a produção Shrek, do estúdio DreamWorks. A possibilidade de vitória para A Era do Gelo, a seu ver, é concreta: "Acho que temos chances iguais, como todos". Seus concorrentes são duas produções da Disney - Lilo & Stitch e Planeta do Tesouro, uma da DreamWorks, Spirit - O Corcel Indomável, e a co-produção nipo-americana (também com a Disney) A Viagem de Chihiro.
Mesmo que não vencer o Oscar, A Era do Gelo já terá sido um marco para a Fox. Por seu estrondoso sucesso, o filme definiu a continuidade dos investimentos do estúdio na animação, onde já tinha feito duas incursões malsucedidas: Anastasia (1997) e Titan A.E. (2000). Chegar a esse ótimo resultado final com A Era do Gelo foi um longo processo, que durou três anos. Saldanha trabalhou nele desde os primeiros dias, sem férias. Conta que só na preparação prévia foi gasto um ano, prazo em que trabalhou no aperfeiçoamento de roteiro e dos personagens, basicamente com o uso de desenhos e esculturas de massa, antes de chegar à forma final. Apesar do enorme avanço da tecnologia digital neste campo, Saldanha comenta que a produção de um desenho animado em longa-metragem permanece em boa parte manual, especialmente na fase inicial.
"Primeiro você desenha os story boards, prepara tudo. O computador é a última etapa", esclarece. A equipe que produz um desenho desse porte é grande - 170 pessoas trabalharam em A Era do Gelo - num ritmo que o co-diretor não hesita em descrever como uma "maratona". Um dia de trabalho nunca durava menos de 12 horas e o roteiro, como diz Saldanha, "foi trabalhado com novas idéias até o último minuto". Dividindo tarefas com Wedge como co-diretor, Saldanha tinha como função coordenar criativa e tecnicamente especialmente a parte de animação, 70% do tempo. O restante foi gasto entre história e edição. Depois que tudo ficou pronto, ele criou e dirigiu um curta-metragem, Gone Nutty, que foi incluído no DVD de A Era do Gelo e que Saldanha está considerando enviar para concorrer ao Oscar 2004, na categoria curta-metragem de animação.
Enquanto isso não acontece, o animador brasileiro já trabalha em outro projeto, Robots, novamente como co-diretor. Como está em desenvolvimento - a animação começa esta semana -, a história ainda é cercada de segredo quase total. Saldanha só revela que "os personagens não são de ficção científica, mais de fantasia mesmo". Por enquanto, ainda não saem do papel dois outros projetos já levantados pela Fox, como a continuação de A Era do Gelo e um longa animado só para Scrat, o desastrado esquilo que provoca as maiores catástrofes no filme original.
Cineweb-21/3/2003
