Herbert Vianna é retratado com carinho em ‘filme de amigos’
- Por Alysson Oliveira
- 08/10/2009
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Berliner, no entanto, só teve certeza de que faria um filme sobre o amigo quando Herbert sofreu um acidente de ultraleve em 2001, que custou a vida de sua mulher e deixou o músico numa cadeira de roda, depois de ficar em coma por alguns dias. A menção desses fatos no documentário resultam nos momentos mais emocionais e emocionantes do filme. “Os Paralamas fazem parte da minha história”, explica Berliner, “rever a trajetória deles, do Herbert, é rever a minha vida”.
Até então, as imagens captadas ao longo de mais de 15 anos estavam guardadas no arquivo da produtora TvZero, e Berliner pensava que talvez um dia poderiam servir para alguma coisa. “O tempo nos dá uma perspectiva diferente. Hoje olho para essas imagens com outros olhos”. E ele não é o único, em Herbert de Perto, o próprio músico vê gravações antigas, tanto de apresentações da banda, quanto depoimentos seus, e se espanta como era diferente.
Já quando Bronz entrou para a direção de Herbert de Perto, o projeto já estava consolidado. O co-diretor não conhecia o músico pessoalmente, mas depois de o acompanhar por três anos era como se fossem amigos de longa data. “O filme tem muitas pinceladas de Herbert. Entrar no universo dele foi perceber como a carreira dele foi construída com esforço, como a música é importante para ele e como o ajudou na recuperação depois do acidente”, explica.
A primeira sessão de Herbert de Perto aconteceu no Festival É Tudo Verdade, do qual participou em 2006, numa versão mais curta. No próximo dia 9, o longa chega aos cinemas numa montagem de pouco mais de 90 minutos. Para os diretores, esse hiato foi importante para o amadurecimento do filme. “Percebemos que podíamos incluir mais imagens e mais músicas”, explica Berliner, que junto com Bronz, foi premiado no Festival de Paulínia, em julho passado, na categoria melhor direção de documentários.
Os créditos finais de Herbert de Perto sobem ao som da música “Ska”, composição do próprio Herbert, que começa dizendo que ‘a vida não é filme’, mas “pode uma vida interessante pode render um filme”, brinca Bronz. O diretor aponta que para se fazer um documentário sobre um músico é preciso que o artista tenha uma vida interessante, que histórias possam ser contadas. “Não basta ter uma boa música, é preciso uma trajetória incrível, como o Herbert, numa história de sucesso, luta e superação. Daria também um grande filme não-documental”.
O grande desafio, segundo Berliner, foi conseguir organizar as diversas camadas que compõem o filme. “Havíamos depoimentos dos familiares, amigos, muita imagens de arquivos, novas entrevistas com o Herbert. Foi muito complicado encontrar uma linha condutora disso tudo. Muita coisa ficou de fora, mas pretendemos usar bastante disso no DVD do filme”.
“A história do Herbert”, continua Berliner, “é uma história que diz respeito ao Brasil, uma música de abrangência nacional. Os Paralamas do Sucesso fizeram a trilha sonora de muitas gerações”.
