Cineasta busca o lado humano por trás da violência carioca
- Por Alysson Oliveira
- 11/11/2009
- Tempo de leitura 3 minutos
Valente conta que buscou um prisma diferenciado para abordar a questão. “Eu queria saber como a violência se introduz no cotidiano das pessoas. Quando leio uma notícia no jornal, me interesso por aquilo que não aparece, como vivem as pessoas antes e depois de uma tragédia”, explicou ao Cineweb. Por isso, ao centro de No Meu Lugar está um tiroteio, seus antecedentes e suas consequências.
Na narrativa, há três vértices de um triângulo: uma mulher (Dedina Bernardelli) volta à casa onde aconteceu uma tragédia alguns anos depois. Um policial (Marcio Vito) é suspenso de sua função pouco depois do mesmo incidente. Um jovem (Raphael Sil) arquiteta e realiza um pequeno roubo que sai de seu controle e acaba mal. Cada uma das histórias passa-se num momento diferente, ligadas pelo mesmo fato. “O roteiro acompanha a relação de cada personagem com o evento”, comenta o diretor, explicando a opção pela intercalação de tempos distintos.
Valente conta que descobrir a história de “No meu lugar” foi lidar com a cidade, com o entorno. “Eu morei a vida inteira na região de Laranjeiras e queria falar daquilo que está em volta.” O resultado é, segundo ele, a junção da vontade de falar do Rio de Janeiro e também do aspecto humano da violência da cidade.
Para escrever o roteiro, o diretor contou com a colaboração de Felipe Bragança – corroteirista de O Céu de Suely. “Ele tem a disciplina de roteirista que eu não tenho. A disposição para se dedicar a longo prazo a uma ideia, a pensar muito sobre aquilo, a cogitar mudanças”. Mas desde o início, quando Valente concebeu o argumento original, algumas características já estavam ali. “Sempre foi meu desejo falar dos três vértices e da relação deles, ligados por um ato de violência”.
Residência em Paris Ao longos dos anos, enquanto trabalhava em “No meu lugar”, Valente morou por cinco meses em 2005 em Paris, bancado pelo Festival de Cannes. “Eu fiz parte de um programa promovido pelo festival no qual seis pessoas dividem um apartamento na cidade com todas as despesas pagas apenas para escrever o seu roteiro. Depois, quando o filme fica pronto, é exibido em Cannes”.
Entre os colegas de apartamento de Valente estava o romeno Corneliu Porumboiu, roteirista e diretor de A Leste de Bucareste (2005). “Ainda mantenho contato com as pessoas com quem morei em Paris. Alguns deles terminaram seus filmes, como eu, e outros ainda estão trabalhando neles”.
Para realizar o seu primeiro longa, o diretor também contou com o apoio da Videofilmes, produtora dos irmãos João Moreira Salles e Walter Salles – este último, também produtor do filme. “Meu orçamento foi de R$ 1,5 milhão e eu precisei saber me adaptar a isso. Acho que cabe ao cineasta saber se adequar ao tamanho do projeto”.
Desde sua exibição em Cannes, em maio passado, “No meu lugar” já viajou por diversos lugares, como Itália, Coreia do Sul e Estados Unidos. Nos próximos meses, irá para Portugal, Cuba e Inglaterra. “O que há de mais legal na arte é dominar até certo ponto o que você faz. Depois, o filme passa a ser das pessoas”, explica Valente.
As viagens que o cineasta tem feito por conta do filme colocaram-no em contato com novas realidades e visões, não apenas do cinema. “A arte nos permite partilhar
