06/06/2026

“O filme fez o Chile se reencontrar com Violeta Parra”, diz diretor de biografia

O diretor chileno Andrés Wood comenta, em entrevista ao Cineweb, seu novo filme, "Violeta foi para o céu". “Tinha coisas demais para contar, não sabia o que colocar no roteiro, o que deixar de fora”.
por Alysson Oliveira
Violeta Parra (1917-1967) é conhecida no Chile – e no mundo – mais por suas músicas – que no Brasil ficaram famosas nas vozes de Mercedes Sosa, Elis Regina e Milton Nascimento – do que por sua vida conturbada. “Eu acho que com o filme, o Chile e, quem sabe, o mundo, poderão redescobrir a obra e a vida dela”, disse o diretor Andrés Wood, em entrevista ao Cineweb.

Diretor de Machuca (2004), Wood disse que seu cinema sempre foi sobre anônimos com histórias de vida interessante.
“Por isso mesmo, eu não me atrevia a fazer um filme sobre a vida dela”.
No entanto, quando começou a pesquisar sobre a trajetória de Violeta, deu-se conta de como ela é uma figura interessante, daí teve diante de si outro problema: “Tinha coisas demais para contar, não sabia o que colocar no roteiro, o que deixar de fora”.

O resultado foi que Wood acabou fazendo duas obras. O filme Violeta foi para o céu, uma coprodução envolvendo Chile, Argentina e o Brasil, e uma minissérie para tv a cabo, com uma hora a mais, que deverá ser exibida em três episódios.
Segundo a produtora executiva brasileira do filme, Denise Gomes, da Bossa Nova, já existem negociações com um canal nacional para a exibição da série.

Para viver Violeta nas telas, Wood realizou vários testes em busca da atriz ideal. Encontrou Francisca Gavilán, que, segundo ele, já era uma atriz de prestígio, mas não muito popular. “Ela estava perfeita para o que eu queria”. Depois disso, começaram vários tipos de preparação – inclusive com a ajuda de Ángel Parra, filho de Violeta que também é autor do livro que serviu de base para o roteiro.

Segundo a própria Francisca, a assessoria de Ángel foi fundamental. “Ele me ajudou não apenas na preparação vocal, mas também contando um pouco mais sobre como era a mãe dele”.
A atriz conta que se aproximou da personagem de uma forma diferente do que fosse totalmente fictícia. “Ela tem fãs, uma família que ainda está aí. É preciso interpretá-la com muito respeito”.

Para a atriz, um dos momentos mais emocionantes foi filmar no Louvre, num dia em que estava fechado. “Tínhamos o museu só para a gente”. Já o diretor não recorda essas filmagens com o mesmo entusiasmo: “Foi muito difícil conseguir autorização para fazer essas cenas”.

O filme estreou no Chile no final de 2011 e, segundo o diretor, foi um sucesso local. “Não conseguimos lançar com muitas cópias, mas muita gente foi ver. Creio que foi uma redescoberta da vida e da obra de Violeta”. Ele conta que o público jovem, de estudantes, abraçou o filme de uma forma inesperada. “Eu creio que a música dela vai ao encontro das ideias da juventude, da vontade de mudar o mundo, de protestar”.

Agora Wood se prepara para rodar um filme majoritariamente no Brasil – novamente com produção da Bossa Nova. “Não posso falar muito ainda, porque estou trabalhando no roteiro. Mas já vim diversas vezes ao país, é uma experiência muito interessante”.