06/06/2026

Filme sobre Sebastião Salgado transformou a relação do fotógrafo com seu filho

Premiado na França e indicado ao Oscar 2015, o documentário "O Sal da Terra", de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, mergulha nos bastidores do famoso fotógrafo Sebastião Salgado. Em entrevista a Alysson Oliveira, do Cineweb, Juliano conta como, através do filme, se aproximou do pai, de quem era distante, devido a suas constantes viagens pelo mundo.

Por Alysson Oliveira
Quando começou a pensar no documentário O Sal da Terra, o diretor Juliano Ribeiro Salgado conta que não tinha uma relação muito boa com seu pai, o celebrado fotógrafo social Sebastião Salgado, cujas vida e obra são tema do filme. “Não éramos próximos, não tínhamos uma relação legal, e quando o filme acabou, eu estava muito amigo do Tião [como se refere ao pai]”, disse em entrevista ao Cineweb.

O longa começou com uma viagem da dupla à tribo Zo’é, que resultou num pequeno filme de 20 minutos. Quando o mostrou a Sebastião, em Paris, o diretor acredita que finalmente o pai pode ver como ele, Juliano, o via. “Um filme revela muito mais sobre quem faz, sobre quem é o assunto. Ficamos emocionados, e veio a possibilidade de fazermos algo mais longo, resgatar a carreira dele”.

O longa, codirigido pelo alemão Wim Wenders, resgata as diversas viagens do fotógrafo fez ao longo de quatro décadas pelo mundo. Sebastião observa diversas fotografias de sua carreira e conta as histórias por trás de cada imagem e como isso se reflete em sua vida. “Eu queria que ele pudesse contar suas histórias para mais pessoas além da família e amigos. O filme nasceu dessa minha vontade”.

Juliano confessa que não tem mensurado em horas o material de filmagem, mas explica que, se fosse pra assistir tudo, “levaria uns dois meses sem interrupção”. Então, imagina-se a dificuldade de montar o longa. “Wim e eu temos sensibilidades diferentes, o que é natural, e cada um tentou fazer a sua versão, e, no fim, não agradava ao outro. Só fomos resolver o impasse quando sentamos os dois para montar juntos e o filme foi nascendo. Era pra levar quatro meses e o processo levou dois anos”.

O cineasta alemão – que é amigo do fotógrafo há anos – entrou quando o projeto já estava em andamento. “Mesmo morando em países diferentes [Sebastião mora boa parte do ano na França], eles conversavam muito, trocavam mensagens, especialmente sobre futebol, a Liga Europeia.”

Outra figura central do filme é Lélia Wanick Salgado, mulher do fotógrafo e mãe do diretor. Embora ela dê poucas entrevistas no filme, sua importância fica clara na vida e obra de Sebastião. “Eles são muito parceiros. Ela é responsável pela produção dos livros dele, das exposições. Quando se fala de Sebastião Salgado, obrigatoriamente se está falando de Lélia Salgado também”.

Teve sua primeira exibição no Festival de Cannes de 2014, de onde saiu com o Prêmio Especial do Júri na mostra paralela Un Certain Regard, além do prêmio Ecumênico e também o César de documentário. Depois disso, o filme circulou por diversos festivais e recebeu indicações em diversas premiações, entre elas, o Oscar. “É tudo muito legal, todos os prêmios são bastante importantes, mas tem um que me é bem especial: o de público no Festival de San Sebastián. É quando vi que o filme realmente tem um diálogo com uma plateia mais ampla”.
Foto:
Ivi Roberg/Divulgação