Sergio Rezende procura o intimismo em "Onde Anda Você"
- Por Neusa Barbosa
- 08/04/2004
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Em seu décimo filme, o veterano Sergio Rezende resolveu voltar atrás, ou seja, retomar, como ele mesmo diz, "o prazer da câmera de cinema". Depois de superproduções históricas de grande escala, como A Guerra de Canudos (1997) e Mauá, O Imperador e o Rei (1999), o diretor carioca já pensava em projetos mais introspectivos e intimistas. O primeiro movimento neste sentido foi o drama Quase Nada, em que ele entrecruzava três histórias sertanejas com a precisão minimalista de um punhal. O segundo movimento é justamente Onde Anda Você, comédia dramática que chega aos cinemas brasileiros com cerca de 40 cópias nesta sexta (9/4/2004). O filme conta a história de Felício (Juca de Oliveira), um velho comediante aposentado, obcecado por um antigo amor (Drica Moraes), que decide voltar à ativa, procurando pelo Brasil afora um novo parceiro para remontar o seu número.Fora o intimismo, outra novidade é que Onde Anda Você? é o filme mais próximo a São Paulo da carreira do carioca Rezende. Por ironia, parte da ação ambientada na capital paulista não foi realmente filmada ali, e sim em Fortaleza, local de rodagem da maior parte da produção. São paulistas, no entanto, diversos atores do elenco, caso de Juca de Oliveira, Genezio de Barros e Denise Weinberg. O veterano Juca de Oliveira, aliás, abre uma exceção ao estar aqui, já que não é uma figura muito habitual no cinema. Seus últimos filmes foram Outras Estórias (1997), de Pedro Bial, e Bufo & Spallanzani (2000), de Flávio Tambellini. "Faço pouco cinema, fico muito mais no teatro e na televisão. Senti a responsabilidade de ser protagonista nesta história", admitiu, na entrevista coletiva do filme, em São Paulo. Uma força de expressão, certamente, para quem, como ele, tem mais de quatro décadas de palco. Juca conta que o fato que mais o ajudou a diluir a tensão dessa responsabilidade do personagem principal foi o comportamento gentil do diretor. "Sergio frustra minha concepção de que o homem não deu certo", afirma, sorrindo. O ator gosta igualmente, da mistura de gêneros contida na história. "Acho que este filme flui além dos cânones", acentua. A experiência do cinema, em todo caso, ficará mais próxima de Juca, que está escrevendo o roteiro baseado em sua peça, "Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Melhor do que a Nossa", sucesso nos palcos que vai virar filme. Drica Moraes, que interpreta Paloma, a obsessão amorosa do protagonista, gosta da "falta de artifícios deste filme, da sua simplicidade em todos os itens - na contramão do que está aí, não tem edição frenética nem roteiro mirabolante". Regiane Alves, a Dóris da novela Mulheres Apaixonadas, faz aqui sua estréia nas telas, como Estela, uma modelo explorada por um fotógrafo (Ernâni Moraes) que acaba tendo um relacionamento filial com Felício. Uma surpresa no elenco é a presença do humorista José Vasconcelos, de 78 anos. Veterano do teatro que no cinema trabalhou em comédias ao lado de Oscarito (Este Mundo é um Pandeiro, 1947) e até em pornochanchadas (Os Homens Traem, As Mulheres Subtraem, 1970), Vasconcelos não poupa críticas ao tipo de humor atualmente praticado na TV. "Há uma apelação muito grande, uma falta de criatividade enorme. A gente hoje fica restrito à pornografia", desabafa. 8/4/2004
