23/07/2026

O cinema fora da curva de Kim Rossi Stuart

Em seu terceiro longa como diretor, o ator e diretor italiano retrata a relação turbulenta entre um pai e um filho. Nessa entrevista, ele explica como o filme, disponível on-line no Festival de Cinema Italiano, foge da tradição da cinematografia de seu país



Kim Rossi Stuart, protagonista e diretor de Brado, parte do Festival de Cinema Italiano (Crédito; Divulgação)

Numa tarde fria em São Paulo, na sexta-feira (25-11) depois da estreia do Brasil na Copa, o ator e diretor italiano Kim Rossi Stuart, em rápida visita ao país, conta com empolgação como foi assistir à partida no Brasil. “É uma experiência inesquecível. Já tinha vindo ao país, mas nunca em tempos de Copa, e me diverti muito”, diz em entrevista ao Cineweb. Ele esteve na cidade para apresentar uma exibição de seu mais recente longa, Brado, exibido no Festival de Cinema Italiano.

Aos 53 anos, Rossi Stuart é um dos atores italianos mais queridos de sua geração. Estreou no cinema aos 5 anos e, na adolescência, fez um pequeno papel em O Nome da Rosa, como um noviço. Como ator, trabalhou com diretores do porte de Michelangelo Antonioni e Gianni Amelio, participando do elenco do último longa de Antonioni, Além das nuvens, de 1995. “Ele já estava um pouco debilitado. Quem mais dirigiu foi o Wim Wenders [codiretor do longa], mas a experiência de estar ao lado de um mestre foi única.”

Quanto a Amelio, Rossi Stuart conta que o filme As chaves de casa, acabou ajudando-o em sua estreia como diretor, Estamos bem mesmo sem você, de 2006. “Os dois filmes têm crianças e eu estava muito apreensivo de como seria dirigir, ainda mais por ser meu primeiro longa como cineasta. Prestei muita atenção no trabalho do Amelio com o menino.”

Rossi Stuart revela que dirigir sempre foi seu sonho, atuar aconteceu por acaso. “Escrevi meu primeiro roteiro com 20 anos, mas era muito novo e sem experiência. Como iria conseguir convencer um produtor a bancar o meu filme?” Por isso, acabou investindo a carreira de ator, até que conseguiu realizar seu primeiro longa.

Em Brado, seu terceiro trabalho como diretor, ele interpreta Renato, um homem recluso e com uma relação tensa com seus filhos jovens-adultos, Viola (Federica Pocaterra) e Tommaso (Saul Nanni). O personagem vive isolado num rancho, onde treina um cavalo de corridas que acabará sendo montado por seu filho.

O longa se insere na tradição que um jornalista italiano chamou de “western existencialista”. Embora compreenda os motivos para o longa ser chamado assim, Rossi Stuart não o vê exatamente como um western. “Para mim, é um filme de esportes, um filme de cavalo, que usa elementos do gênero mas tem outras camadas”, observa, dizendo que cresceu vendo westerns e adora.

Rossi Stuart frisa que um dos maiores desafios do filme foi treinar o cavalo que aparece em cena, pois não há na Itália especialistas profissionais em adestrar cavalos para o cinema. “Na Europa, temos adestradores ótimos, na França, na Espanha, mas, por conta da pandemia, não podíamos trazer pessoas de fora. Tivemos de fazer um trabalho artesanal, o que, sem dúvida, foi uma dificuldade que colocou em risco a produção do filme.”

Em Brado, o diretor, que assina o roteiro ao lado de Massimo Gaudioso, explica fugir um pouco da tradição italiana. “Acredito que este não é bem o tipo de filme que se imagina quando se pensa no cinema italiano – ou mesmo que seja, no western italiano. E isso deve surpreender o público – especialmente o de fora da Itália, como os brasileiros, que devem esperar algo mais tradicional.”

O filme está disponível gratuitamente no site do festival até 04/12
https://festivalcinemaitaliano.com/