04/06/2026

Cineasta italiano encara de frente o tabu do suicídio em novo filme

Falando de sua casa, em Roma, o diretor italiano Paolo Genovese olha para a câmera do computador, pensa um pouco e diz: “É preciso falar sobre o suicídio. O tema é um tabu, infelizmente. Mas precisa ser abordado. Só assim poderá haver realmente algum tipo de prevenção.” Seu novo filme,O primeiro dia da minha vida, toca diretamente no tema, sem preconceitos.

No filme, quatro desconhecidos que pensam em acabar com suas vidas são abordados por um homem (Toni Servillo), que diz que eles têm uma semana para uma nova chance, repensar as escolhas e mudar de ideia. O longa nasceu de um romance escrito pelo próprio Genovese, num momento em que “estava cansado de escrever roteiros, queria a possibilidade de me aprofundar mais no texto, nos personagens”.

Inicialmente, o filme seria rodado em Nova York, com um elenco internacional. Mas a pandemia de Covid-19 mudou os planos do diretor, que filmou em Roma, numa cidade deserta, o que, segundo ele, introduziu um bem-vindo elemento de estranheza. “Era a época do lockdown, as pessoas não podiam sair às ruas, mas as filmagens eram autorizadas com os devidos cuidados. Por isso, conseguimos mostrar uma cidade deserta.”

O roteiro foi escrito pelo diretor, em parceria com Isabella Aguilar, Paolo Costella
e Rolando Ravello, e traz no elenco, também, Margherita Buy, Valerio Mastandrea, Sara Serraiocco e o estreante Gabriele Cristini, que interpreta um dos potenciais suicidas, um pré-adolescente que sofre bullying. “Trabalhamos muito o tema do suicídio antes das filmagens, especialmente porque havia uma criança envolvida. A ideia era falar bastante de suas vidas, das coisas positivas e compreender como pode estar uma pessoa quando escolhe acabar com sua vida”.

Genovese insiste que o filme não é mórbido ou melancólico, embora, obviamente, haja uma tristeza no ar. “O cinema não tem que dar soluções para os problemas do mundo real, mas estimular as pessoas a pensar no momento em que vivem. Todos enfrentam problemas, e ninguém se salva sozinho.”

Para ele, O primeiro dia da minha vida pode ajudar as pessoas a encontrar uma abertura quando se sentem no fundo do poço. Ele conta que desde que o longa estreou na Itália, e tem sido exibido ao redor do mundo, recebe muitas mensagens de pessoas que se identificam com a história e as personagens. “Muita gente me escreve dizendo que o filme o ajudou a não se sentir sozinho. E essa é a maior recompensa que alguém pode ter. Não há sucesso na bilheteria que substitua isso.”