Estreante Haley Elizabeth Anderson une o pessoal e o social em “Tendaberry”
- Por Alysson Oliveira
- 30/04/2025
- Tempo de leitura 3 minutos
Haley Elizabeth Anderson, no Brooklyn, em Nova York, onde mora e é cenário de seu filme (Crédito: Mubi/Divulgação)
Estreante na direção de longas, Haley Elizabeth Anderson mostra uma confiança impressionante em seu primeiro longa,
Tendaberry, já disponível para streaming na Mubi. O filme é uma declaração de amor ao bairro onde mora, o Brooklyn, em Nova York, transformando a ele e seus habitantes em verdadeiros personagens que circundam a trajetória da protagonista Dakota (Kota Johan).
Haley começou a pensar no filme no princípio de 2020, e logo a realidade entrou no projeto. Foi na época em que a Rússia invadiu a Ucrânia, e um dos personagens do filme, o namorado de Dakota, é ucraniano, e precisa voltar para seu país, pois seu pai
está doente. Chegando lá, a invasão acontece e ele não consegue mais sair de lá, nem voltar para os EUA.
“Com o filme, eu queria tentar compreender o mundo em transformação, e tudo isso está incorporado no filme, da primeira à última imagem”, conta ela, em entrevista ao Cineweb. “Queria mostrar como nossos problemas podem ser tão pequenos diante das atrocidades que acontecem no mundo”.
Haley, que havia acabado de terminar a faculdade de cinema, queria fazer um filme sobre as pessoas de sua vizinhança, colocando em cena diversos personagens. Logo percebeu que não seria possível, então mudou os planos, concentrando-se na figura de Dakota ao longo das quatro estações do ano, que funcionam como capítulos. Entre idas e vindas, o filme foi rodado entre outubro de 2021 e outubro de 2022.
Uma figura central nesse processo foi o diretor de fotografia Matt Ballard, cujo trabalho Haley já admirava. Eles planejavam fazer videoclipes juntos, mas a pandemia chegou e mudou os planos, novamente. Somente meses depois foi que puderam se reunir para filmar Tendaberry, cuja fotografia é marcada por cores e texturas.
“Conversamos muito antes de filmar, mas não sobre imagens, sobre sentimentos. Foi um processo bastante particular, que permitiu que construíssemos as diferentes estações de forma particular.”
A jovem diretora conta também que tinha como inspiração diretores cujas obras são marcadas pelo realismo social, como os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, ou os britânicos Andrea Arnold e Mike Leigh – mas a essas referências acrescentou sua sensibilidade e experiência da vida no Brooklyn.
“Começamos o primeiro capítulo como Rosetta [filme dos Dardenne ganhador da Palma de Ouro em 1999], mas percebemos que esses diretores têm um jeito muito único de fazer cinema. Não adiantava tentar copiar”, diverte-se, lembrando. “Quando vimos as cenas já filmadas, mudamos tudo e filmamos de novo”. A cada capítulo, Haley e Ballard descobriam como o filme deveria ser feito e, como ela explica, foi um aprendizado constante.
Depois de exibido em diversos festivais, o longa chegou à Mubi, e a diretora comemora o feito. “É um filme pequeno e independente que, possivelmente, não seria lançado comercialmente em muitos países. Por isso, estar nessa plataforma é incrível. Pessoas que jamais veriam o filme estão assistindo e gostando. Ficou claro para mim que o longa tem uma linguagem universal”.
