Marcelo Gomes em busca do sonho perdido em “Criaturas da Mente”
- Por Alysson Oliveira
- 07/05/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
Mãe Beth de Oxum e Sidarta Ribeiro em cena de Criaturas da Mente (Crédito: Sylara Silverio/Divulgação)
Em certo momento do isolamento social por causa da pandemia, o cineasta pernambucano Marcelo Gomes passou por um momento ainda mais estranho do que aquilo tudo que o país vivia: não conseguia sonhar. Era algo singular para uma pessoa cuja profissão é a construção de imagens.
Como qualquer um faria, ele começou a pesquisar o que estava acontecendo consigo mesmo. Isso o levou ao neurocientista brasiliense Sidarta Ribeiro, a quem conheceu rapidamente num evento no passado. Ao procurá-lo pessoalmente, nasceu o documentário Criaturas da Mente, um filme no qual Gomes se coloca ao lado de Ribeiro em busca da compreensão do sonho e de seu papel social e cultural no mundo em que vivemos.
“Eu uso o meu cinema como ferramenta para compreender coisas complexas e abstratas,” explicou o diretor em entrevista ao Cineweb. “E o inconsciente é um mistério para a gente. Tudo o que era incompreensível para mim, levei para esse projeto.”
Criaturas da Mente começa com a dificuldade do cineasta em sonhar. Segue, então para as questões de Ribeiro, o Laboratório de Sonho, Sonhos e Memórias, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que ele coordena, e então se expande para diversos temas. Uma das preocupações de Gomes sempre foi que o longa tivesse uma linguagem acessível para todos.
“É preciso que tenhamos tempo para sonhar, pois o sonho é exatamente o oposto da vida útil. E o sonho é o caminho pelo qual podemos construir um novo ideal de nação”, aponta o diretor.
Marcelo Gomes, diretor do documentário Criaturas da Mente (Crédito: Mujica/Divulgação)
Contando com depoimentos de figuras como Mãe Beth de Oxum, Ailton Krenak, Mãe Lu, Dráulio Barros de Araújo, o filme propõe um observação que abrange vários segmentos para discutir o sonho, ancestralidade e o presente. Como explica Gomes, para os Yanomami, “o sonho é uma experiência coletiva que ajuda aos outros a realizar o seu desejo. E eles [os Yanomami] têm muito a nos ensinar. Esse é um caminho presente para construir um futuro melhor”.
Outro elemento que surge no filme são aquelas a que Sidarta e Gomes chamam de “criaturas da mente”. E, novamente, de acordo com o diretor, “os artistas são fundamentais para compreender esses tais seres que possibilitam nossos pensamentos e criações.”
No documentário, Gomes remete ao seu primeiro curta de 1995, Maracatu, Maracatus, no qual retrata as diferenças culturais entre as gerações de integrantes do maracatu rural, originário dos engenhos de açúcar em Pernambuco. “O Carnaval, o maracatu, é uma floresta de emoções, marcadas pela liberdade, pelo sonho se materializando. E, hoje em dia, é preciso reflorestar o imaginário.”
