05/06/2026

Oswaldo Santana conduz documentário sobre Rita Lee pela emoção


Rita Lee em imagem do documentário Ritas (Crédito: Divulgação)

Não poderia haver um título mais acertado para um filme sobre Rita Lee do que Ritas, um documentário que mostra a pluralidade dela, que morreu há dois anos. Dirigido pelo estreante Oswaldo Santana, em codireção com Karen Harley, o longa é uma celebração muito sincera da vida e da obra da artista com muitas imagens feitas por ela mesma com seu celular, mostrando a convivência com o marido, o músico Roberto de Carvalho, e os netos.

Santana, montador experiente de documentários, como Tropicália, e ficções, como Bruna Surfistinha, sabia que um filme sobre Rita Lee, para captar sua essência, não poderia ser quadrado, tinha que ousar, como ela. “Há, é claro, uma organização na construção do filme, seguindo o arco da trajetória dela, mas isso não podia nos engessar, pois é um filme conduzido pela emoção.”

E essa ideia fica realmente clara pelo olhar carinhoso de Ritas por sua biografada. O filme estreia nos cinemas em 22 de maio, um dia que ela mesma escolheu para ser seu aniversário – embora tenha nascido em 31 de dezembro –, e decretado pela Câmara Municipal de São Paulo como Dia da Rita Lee. Não poderia haver homenagem maior do que lançar esse belo longa nessa data.

Rita, conforme conta Santana e atesta o filme, tinha – e sua música ainda tem – a capacidade de dialogar com diversas gerações. “Ela tinha uma mensagem da transgressão, do questionamento e sempre foi muito coerente em sua trajetória e discurso”.

O filme acompanha desde seu nascimento, filha de Charles Fenley Jones, descendente de estadunidenses e a mãe, Romilda Padula, descendente de italianos. Começou a se destacar no cenário musical no grupo Os Mutantes, em meados dos anos de 1960, mas foi excluída da banda sem muitas explicações – um episódio que marcou a vida dela de forma negativa, como ela mesma conta no filme.

Depois disso, no entanto, com a banda Tutti Frutti, na carreira solo ou na parceria com o marido, que é multi-instrumentista e compositor, tornou-se um dos nomes mais conhecidos e influentes da música brasileira. A vida e a carreira ricas passaram, como diz Santana, “por um processo de garimpo” para resultar no documentário de 83 minutos muito bem aproveitados com imagens de arquivos de entrevistas, shows e aquelas feitas pela própria Rita que revelam sua intimidade na sua casa em São Paulo. “Montar esse filme foi tirar camadas, lapidar até chegar no processo final”.


Oswaldo Santana, diretor do longa (Crédito: Divulgação)

Santana já era apaixonado pelo trabalho de Rita, havia ido a vários shows, mas ainda não a conhecia pessoalmente, foi só quando começou a pensar no documentário que teve sua primeira reunião com ela e Roberto. “Ela era uma figura incrível, foi muito emocionante estar com ela e, especialmente, fazer um filme sobre ela.”

O longa começou a ser pensado em 2018, e parte de
Rita Lee: uma autobiografia, que ela publicou em 2016, e conta com pesquisa de Antônio Venâncio e Eloá Chouzal. A montagem do documentário é assinada pelo próprio diretor que define o trabalho como “pilotar um transatlântico”. O processo de montagem começou já em 2018, e entre idas e vindas foi até o ano passado, pouco antes da estreia no É Tudo Verdade, em março passado. “Montar um documentário é um processo de montar um filme vivo.”

Por mais variado e abrangente que seja Ritas, Santana acredita que a artista merece muito mais. “A vida e a carrreira dela passaram por diversas fases. Acredito que ainda exista muito para contar, e tenho certeza de que rende um filme dramático também. Aliás, um não, vários. Ela merece”.