05/06/2026

“Warhol é o influenciador original”, decreta diretor de documentário sobre o artista

Warhol diante do seu trabalho (Crédito: Divulgação/Autoral Filmes)

Andy Warhol é uma figura central não apenas da cultura, mas das artes em geral da segunda metade do século XX. É uma das personalidades mais marcantes de todos os tempos, com seu indefectível cabelo branco, deixando suas marcas nas artes plásticas, no cinema e até no pensamento – em especial sobre cultura e fama.

Muito já se disse, escreveu e filmou sobre ele, mas ainda há espaço para mais? Para o dramaturgo, roteirista, diretor de teatro e cinema, e documentarista L'ubomír Ján Slivkaa, resposta é sim. Seu documentário Andy Warhol - Um Sonho Americano, nos cinemas a partir de amanhã (19/06),
busca situar o artista a partir de suas origens, na Eslováquia, onde nasceram os pais dele – cujo sobrenome era Warhola. Nessa entrevista ao Cineweb, ele fala mais sobre seu processo criativo e porque Warhol é único.

Na sua opinião, qual é a relevância de Andy Warhol hoje? Além de ser um pintor importante, ele também foi um observador atento de seu mundo contemporâneo. Suas ideias ainda ressoam no presente?

Não há nenhum artista na história como ele. Há um eco de Andy em toda parte, ainda presente até hoje. Ninguém como ele tocou tantos gêneros da arte e também do marketing, de comerciais a videoclipes, e sua influência ainda é visível, moldando gerações de artistas em diversos campos. Andy era um gênio, um homem extremamente talentoso. Suas ideias ainda reverberam, parece que ele sempre pensava à frente de seu tempo. Ele é o influenciador original.

Por que você decidiu fazer um filme sobre ele? Como começou o projeto?

Os dois pais de Andy nasceram em Miková, uma pequena vila no leste do que hoje é a Eslováquia. A família Warhol(a) é de origem eslovaca, descendente da minoria rutena, embora Andy e seus irmãos já tenham nascido em Pittsburgh. Durante a era comunista, a Pop Art foi deixada de lado, e não era ensinada nas universidades do país, já que o gênero e seus artistas eram considerados “ocidentais demais” pelo regime. Sentimos que já era mais do que hora de explicar e lançar luz sobre as origens de Andy e de onde ele veio. A famosa frase de Andy, “Eu venho do nada”, tornou-se o ponto de partida do nosso documentário.

Entramos em contato com o Museu Andy Warhol em Medzilaborce, na Eslováquia, e nos tornamos grandes amigos do diretor Martin Cubjak, que é da região e conhece os descendentes eslovacos de Andy, bem como seus amiliares nos Estados Unidos. Ele é uma pessoa extremamente conhecedora do assunto e foi fundamental no início do processo de filmagem.

As origens eslovacas de Warhol não costumam ser discutidas, mas seu filme destaca esse aspecto. Como foi trabalhar com essa informação?

Foi uma jornada longa e difícil, agravada ainda pela pandemia da covid-19, que interrompeu as filmagens e trouxe mais desafios. Mas nos sentimos honrados em poder criar este documentário, em compartilhar a história da família de Andy com o mundo inteiro. Não é uma história sensacionalista ou comercial, mas uma imersão profunda nas origens de Andy, envolvendo seus amigos mais próximos, sua família e memórias dele, para construir uma imagem honesta desse artista tão talentoso.

O que vocês descobriram durante a produção do filme?

Ao criar um retrato tão íntimo da vida de alguém, muitas coisas vêm à tona e se destacam como características de sua personalidade ou como influências em decisões futuras, em reações a momentos difíceis. Nesse sentido, Andy não é diferente, e vários momentos marcaram sua alma. As reações à morte de seus pais, a forma como protegia sua mãe dos jornalistas, ou até o fato de nunca ter prestado queixa criminal contra Valerie Solanas, que tentou assassiná-lo [em 1968], e por isso ela recebeu uma sentença branda.

E o que o público pode esperar descobrir sobre Warhol com seu documentário?

Eles vão entender como o ambiente familiar e a criação de Andy influenciaram sua arte — e talvez enxerguem ainda mais por trás de suas obras.

Você já trabalhou como diretor de documentários e ficção, além de roteirista e dramaturgo. Como toda essa experiência ajudou na realização deste documentário?

Eu amo contar histórias e gosto de dirigir, seja ficção ou documentário. Também me surpreendo com o quanto é possível aprender algo novo a cada projeto. É por isso que eu amo fazer cinema. Tento compartilhar minhas experiências com as gerações mais jovens — e gosto muito desse intercâmbio.

Warhol teve uma vida muito rica, e o filme tem uma grande quantidade de material. Como foi sua colaboração, na edição, com Petra Babic Slivková, Nina Grecková e Oliver Greško, para construir a narrativa ?

Tivemos uma equipe pequena, mas dedicada, composta por pessoas muito comprometidas com o tema, o que criou um ambiente íntimo onde os entrevistados se sentiam à vontade para compartilhar suas histórias. Foi uma experiência maravilhosa, e cada um contribuiu com seu talento para criar este documentário único.