Marisa Berenson: “Ser dirigida por mulher conecta sensibilidades”
- Por Alysson Oliveira
- 04/03/2026
- Tempo de leitura 3 minutos
Marisa Berenson e a atriz e diretora Isild Le Besco, em cena de Minha Querida Família (Crédito: Divulgação)
Marisa Berenson é um atriz esporádica. Faz filmes aqui e ali, mas sempre papeis pequenos em produções independentes, como é o caso do francês Minha Querida Família, que chega aos cinemas brasileiros nessa quinta. “É um filme sobre temas universais, como laços familiares, questões que afetam a todas as pessoas, e isso me interessa muito ver no cinema”, contou a atriz em entrevista ao Cineweb por telefone, de sua casa na França.
No longa dirigido pela atriz francesa Isild Le Besco, que também está em cena, Berenson é a matriarca da família do título, chamada Queen, uma personagem que ela define como “maior do que a vida”. O convite partiu da própria diretora, e a atriz gostou muito do roteiro e da possibilidade de trabalhar com Le Besco e as atrizes Jeanne Balibar e Élodie Bouchez, que fazem parte da família.
A atriz que interpretou a inesquecível Lady Lyndon, em Barry Lyndon (1975), de Stanley Kubrick, e estreou no cinema como mulher do protagonista, o compositor interpretado por Dirk Bogarde, em Morte em Veneza (1971), de Lucchino Visconti, comenta que ser dirigida por uma mulher é uma experiência diferente de ser dirigida por um homem. “Eu me conectei muito com a Isild, temos uma sensibilidade parecida, por isso eu queria estar junto nessa jornada.”
Estar ao lado das outras atrizes foi também fundamental para Berenson aceitar o papel. “Filmamos durante a pandemia, em 2021, numa casa isolada no interior da França. Foi uma experiência muito especial para todas nós. Isild nos deu muita liberdade para criar as personagens
Jeanne Balibar, Élodie Bouchez e Berenson, em cena do longa (Crédito: Divulgação)
Le Besco, por sua vez, aponta que o trabalho com os atores é fundamental para ela como cineasta. “Minha experiência como atriz ajuda a compreender o trabalho deles, e a tirar o melhor em cena. Eu acho fundamental respeitar o elenco e, com isso, conseguimos harmonia”, explica. Em sua carreira como atriz, ela esteve em filmes como Meu Rei, Uma Nova Amiga e No Fundo da Floresta.
O trio central foi, cada uma à sua maneira, fundamental para que o filme existisse. “Marisa me ensinou tanto, ela é uma pessoa muito bonita. Já Élodie se entregou demais ao papel [ela interpreta a mulher que está fugindo do marido], e Jeanne é muito próxima de sua personagem”, explica a diretora.
A sintonia entre o elenco era necessária, uma vez que, embora haja também humor, Minha Querida Família trata de temas sérios, como a violência doméstica. “É preciso falar disso nesse momento em que mulheres enfrentam tanta violência em casa e fora dela no mundo todo. No filme, a família é um círculo de proteção, mas isso nem sempre acontece. A família pode causar estragos também”, aponta a cineasta e atriz.
Le Besco conta que ela mesma vê a importância de abordar a violência contra a mulher como uma maneira também de alertar ouras mulheres que estejam passando por experiências como essa.
“As mulheres têm o direito de filmar esse tema e discutir sobre isso. É preciso alertar. Quando jovem, eu mesma não me via como feminista, não imaginava a importância dessa união, como vejo hoje.”
