14/09/2026

Veneza dá Leão de Ouro para dinamarquesa May El-Toukhy e premia filmes sobre memória e Palestina

Veneza - E deu uma mulher na cabeça. A dinamarquesa May El-Toukhy levou o Leão de Ouro pelo drama de época Woman Unknown, tornando-se a oitava diretora a vencer o prêmio principal nas 83 edições do festival, que foi criado em 1932, o mais antigo do mundo.

El-Toukhy junta-se, assim, à alemã Margarette von Trotta (a primeira vencedora, em 1981, por Os Anos de Chumbo), à belga Agnès Varda (Os Renegados, 1985), à indiana Mira Nair (Casamento à Indiana, 2001), à norte-americana Sofia Coppola (Um Lugar Qualquer, 2010), à chinesa-americana Chloe Zhao (Nomadland, 2020), à francesa Audrey Diwan (O Acontecimento, 2021) e à norte-americana Laura Poitras (All The Beauty and the Bloodshed, 2022).

Woman Unknown levou, aliás, um segundo prêmio, de melhor atriz para a excelente Mathilde Arcel, em seu primeiro papel de protagonista. O norte-americano John Malkovich ficou com o prêmio de melhor ator em Wild Horse Nine, como um decadente agente da CIA no Chile de 1973, no ótimo filme de Martin McDonagh.

O sublime filme do sul-coreano Lee Chang-dong, Possible Love, levou o segundo prêmio mais importante, o Grande Prêmio do Júri - e era ele o meu favorito para o prêmio principal.

Mais uma vez, um filme sobre o genocídio palestino, Naza, dos diretores Yuval Abraham e Rachel Szor (do vencedor do Oscar No Other Land) esteve em destaque, conquistando o Prêmio Especial do Júri para um documentário que revela bastidores do massacre palestino pelos depoimentos secretos de alguns perpetradores arrependidos.

Já o Leão de Prata de direção ficou para o russo Ilya Krzhanovsky pelo monumental Dau, o quarto filme que ele extrai das extensas filmagens realizadas entre 2008 e 2011, dentro de um ambicioso projeto de recriação e denúncia do autoritarismo na URSS.

O Prêmio Marcello Mastroianni, destinado a jovens atores, foi para a francesa Malou Khebizi, uma das intérpretes de 15/18, A Place to Heal, de Cédric Khan. Outro francês Stéphane Brizé, venceu o troféu de melhor roteiro por Un Bon Petit Soldat.

A coprodução ítalo-brasileira, Retorno a Buenos Aires, de Marco Bechis, não venceu nenhum prêmio pelo júri oficial. Mas ganhou os prêmios de melhor filme e melhor ator (Adriano Giannini) concedidos pelo Sindicato dos Jornalistas Cinematográficos Italianos.