23/09/2026

Cine BH coloca em foco o cinema latino-americano

Começa nesta terça (22/9) e vai até dia 27/09 a 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte. A abertura será nesta terça (22), com a segunda exibição nacional da produção mineira
Se Eu Fosse Vivo... Vivia (foto ao lado), novo longa de André Novais Oliveira, que teve sua première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro, e acaba de vencer o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Combinando elementos de melodrama e ficção científica, o filme marca a estreia da consagrada escritora mineira Conceição Evaristo como atriz de cinema, uma atuação que também lhe valeu uma menção honrosa, ao lado de Norberto Novais Oliveira, em Brasília.
Conceição Evaristo é também uma das homenageadas desta edição, ao lado da cineasta paraguaia Paz Encina, que ministrará uma masterclass.

Mineira de Belo Horizonte e uma das mais importantes escritoras brasileiras contemporâneas, com uma obra focada nas experiências de mulheres negras na literatura, Conceição é autora de livros como Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Olhos d’Água.

Nascida em Assunção e formada em direção cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires, Paz Encina construiu nas últimas duas décadas uma filmografia ligada à história e às memórias do Paraguai. Reconhecida internacionalmente desde 2006, quando seu primeiro longa, Hamaca Paraguaya, competiu na seção Un Certain Regard, em Cannes, vencendo o prêmio da Fipresci, Encina se consolidou como uma das cineastas centrais da produção latino-americana contemporânea.

Falado em guarani e centrado num casal de camponeses idosos à espera do retorno do filho da Guerra do Chaco, Hamaca Paraguaya tornou-se também um marco ao ser o primeiro longa realizado no Paraguai desde 1978. A CineBH exibirá o filme na Mostra Diálogos Históricos, junto a Ejercicios de Memoria (2016), construído a partir das lembranças dos filhos de Agustín Goiburú, opositor da ditadura de Alfredo Stroessner, e
Carta a un Viejo Master (2024), coprodução com o Brasil na qual Encina estabelece uma carta cinematográfica endereçada a Eduardo Coutinho. As três sessões serão seguidas de conversas com a diretora.

Mostras

Reunindo 102 filmes de 18 estados brasileiros e de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai e Venezuela, em 69 sessões, além de programação online, a programação apresenta filmes brasileiros contemporâneos de repercussão, alguns exibidos em outros festivais recentes como Pele de Rinoceronte, de Marcelo Maia com Débora Falabella; Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, com Bruna Linzmeyer; Sexa, de Glória Pires; Nada a fazer, de Leandra Leal;
Leite em Pó, de Carlos Segundo; Yellow Cake, de Tiago Melo; Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan; Reparação, de Marcus Curvelo; Adulto/Homem, de Pedro Diógenes; e Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques; além
do clássico Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto,
que completa 50 anos. Entre as presenças confirmadas, Débora Fallabela, Naruna Costa, Bruno Barreto, Leandra Leal, Guilherme Burgos e Bruna Linzmeyer,
entre outros.

A programação compreende ainda as mostras competitivas Latino-Americanas Horizonte e Território. Dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens, a Mostra Território
reúne seis títulos: Si Vas Para Chile (Chile), de Amilcar Infante e Sebastián González Méndez; Cuba y la Noche (Cuba/Espanha), de Sergio Fernandez Borrás; El Sonido Es el Cuerpo (Colômbia), de Diego Andrés Murillo; Jankee (México/Argentina), de Yamel Thompson; Sabes de Mim, Agora Esqueça (Brasil), de Denise Vieira; e Los Nadadores (Argentina/México/Estados Unidos), de Sol Iglesias SK.

Já a Mostra Território apresenta outros seis longas: Pukem Swa (Colômbia), de Samuel Moreno Alvarez; Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande (México), de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco; La Vida que Vendrá (Chile), de Karin Cuyul; Telúrica, a Íntima Utopia (Brasil), de Mariana Lacerda; Deserto Vértigo (Argentina), de Rocío Barbenza; e Calle Cuba (Cuba), de Vanessa Batista.

O programa especial Olhares da Argentina reúne
El Príncipe de Nanawa (Argentina/Paraguai), de Clarisa Navas, e Caigan las Rosas Blancas (Argentina/Espanha), de Albertina Carri, e inclui ainda Nuestra Tierra (Argentina), de Lucrecia Martel.

Para marcar os 20 anos da CineBH, será realizada uma retrospectiva que recupera filmes brasileiros importantes exibidos ao longo desse período. Dentre os destaques estão
A Via Láctea (2007), de Lina Chamie; Lóki: Arnaldo Baptista (2008), de Paulo Henrique Fontenelle; Mate-me Por Favor (2015), de Anita Rocha da Silveira; Corpo Elétrico (2017), de Marcelo Caetano; e Sol Alegria (2018), de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira.

Na grade de curtas-metragens brasileiros contemporâneos, 18 filmes estão organizados em três sessões de Curtas Contemporâneos e na tradicional sessão Curtas no Almoço, reunindo trabalhos que transitam por diferentes formas narrativas e procedimentos, entre ficção, documentário, animação e experimentação. Os filmes selecionados estabelecem relações com territórios, questões de gênero e identidade, vínculos familiares e afetivos, conflitos sociais e ambientais e exploram diferentes possibilidades de imaginário.

Integrado à programação, o Brasil CineMundi chega à 17ª edição, reunindo 37 projetos brasileiros e mais de 200 profissionais da indústria audiovisual de 15 países, em atividades de formação, pitching e encontros de negócios.

SERVIÇO

20a CINEBH - MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO

22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA

Locais: Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade.

Edição: Luiz Vita/Cineweb


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