Premiados em Brasília e Cannes são atrações no fim de semana
- Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira
- 17/10/2026
- Tempo de leitura 19 minutos
A Terra do Meu Pai, prêmio de direção em Cannes para o polonês Pawel Pawlikowski, e Quando Eu Era Vivo…Vivia, de André Novais Oliveira, o grande vencedor em Brasília, são duas das ótimas atrações do primeiro final de semana da Mostra. Mas tem muito mais. Confira esses e outros títulos de interesse:
A Terra do Meu Pai
Filmando mais uma vez uma história de época em preto-e-branco, como Ida e Guerra Fria, o diretor polonês Pawel Pawlikowski venceu o prêmio de melhor direção em Cannes
(dividido com os espanhóis Javi Calvo e Javi Ambrossi, diretores de A Bola Negra).
Trata-se de um drama relatando um episódio na vida do escritor Thomas Mann (Hanns Zischier). Em 1949, depois de 16 anos fora da Alemanha, exilado nos EUA, ele volta, acompanhado por sua filha, Erika (Sandra Huller), para receber homenagens em duas cidades diferentes, que hoje pertencem, cada uma, a uma parte do país, dividido depois da derrota na II Guerra.
Os dois lados, o Ocidental e o Oriental, disputam este escritor consagrado, vencedor de um Prêmio Nobel, e cuja volta sinaliza a procura do país de reencontrar uma espécie de normalidade depois do nazismo. Que, como logo se vê, não é mesmo possível. Afinal, nenhum tipo de fascismo passa sem deixar rastros por nenhuma nação, como a história não se cansa de nos ensinar.
Na Alemanha Ocidental, ocupada por norte-americanos e britânicos, Thomas e Erika defrontam-se com antigos colaboradores do regime nazista, como o ex-marido de Erika, normalizados no convívio social - e ela tem uma cena catártica inesquecível com este homem, um ator que inspirou Mephisto, obra do irmão de Erika, Klaus Mann (August Diehl), como um protótipo do oportunista sem escrúpulos.
Na Alemanha Oriental, comandada pelos soviéticos, Thomas é igualmente homenageado e disputado para voltar, para tornar-se um vetor de propaganda. Mas Thomas é independente demais para qualquer uma destas tentativas de sedução. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades profundas na esfera familiar, particularmente com o filho Klaus, apesar dos esforços de mediação de Erika.
Unindo controle e intensidade, Pawlikowski compõe com muito acerto esta história sobre amor e ética, contando com um elenco primoroso - Sandra Hüller, mais uma vez, ilumina cada cena de que participa. É difícil ver Sandra como coadjuvante, já que é ela quem coordena as movimentações do pai nesse retorno à terra natal, amortecendo alguns choques, mas não todos. E que o tom menor destas emoções contidas do clã Mann não engane ninguém. (Neusa Barbosa)
18/10 - 15:10 - RESERVA CULTURAL - SALA 1
19/10 - 21:30 - CINESESC
20/10 - 17:15 - SOLAR SALA PETROBRAS
Se Eu Fosse Vivo…Vivia
Grande vencedor do Festival de Brasília, onde conquistou 4 troféus, inclusive o de melhor filme, o aguardado novo longa do cineasta mineiro André Novais Oliveira marca a estreia da celebrada escritora Conceição Evaristo como atriz. Ela interpreta Jacira, mulher que há 50 anos se casou com Gilberto (Norberto Novais Oliveira), vivendo uma intimidade agora assombrada pela dúvida dela: “Com quem você vai ficar se eu morrer?”. Gilberto se recusa a embarcar nessa perspectiva angustiante, preferindo entreter-se com as revistas sobre ufos e alienígenas - um detalhe que vai fazer sentido no resto da história, sobre a qual é fundamental não dar spoilers.
Em entrevista exclusiva que me concedeu em Berlim, onde o filme teve sua première mundial na seção Panorama, em fevereiro, o diretor contou que seu gatilho inicial para escrever a história foi a morte, em 2018, de sua mãe, Maria José, que atuava em seus filmes. Norberto, seu pai, é o protagonista neste novo filme.
Este vínculo familiar que marca vários filmes da produtora mineira Filmes de Plástico assume aqui um aspecto mais ambíguo, já que a intimidade familiar deste casal, que se conheceu em bailes black dos anos 1980, cede progressivamente espaço a uma estranheza que vai tomando conta até mesmo de seus hábitos mais arraigados: como o costume de Gilberto de descascar uma laranja e guardar para si apenas a parte de cima dela, compartilhando a maior parte com a companheira.
As baladas black dos anos 1970 estão presentes na primorosa primeira parte do filme, filmada em 16mm, em todo o seu colorido, com direito aos figurinos estampados e brilhantes, às pantalonas e sapatos-plataforma e à profusão de cabeleiras black power além de uma esplêndida trilha musical assinada pelo grupo Metá Metá. Mas, tanto aqui, quanto na segunda parte do filme, insere-se a carinhosa veia suburbana desta Contagem que é o cenário da obra dos diretores da Filmes de Plástico e um dos ambientes também aqui. Assim, conta-se com deliciosas sequências, como a que o jovem Gilberto (Jean Paulo Campos) escapa do castigo imposto pelo pai pela janela para cantar uma serenata para a amada Jacira (Tainá Evaristo), que está magoada com ele e com quem ele quer dançar na balada.
Esta primeira metade do filme é tão saborosa que se ressente quando estes dois jovens somem de cena, após um incidente que só fará sentido bem depois - embora, como outros detalhes do filme, não seja de fácil decifração. O roteiro, também assinado por André Novais Oliveira, flerta decididamente com um aspecto bizarro, impregnado pelo realismo fantástico que ele sintonizou tão bem no curta Quintal (2015), e que permite que toda lógica escape pelas brechas. Novais quer conduzir seus espectadores num caminho mais acidentado, em que semeia cortes bruscos, estranhezas, personagens perdidos que não conseguem voltar para casa e pessoas à espera de uma nave espacial que pode não passar de um delírio.
Investido da intenção assumida de não se manter sempre fazendo o mesmo filme, correndo riscos na inovação de abandonar um caminho mais naturalista, Novais mostra acreditar no sonho que o cinema pode alimentar em cada um e assumir uma forma individual, de conforto ou de inquietação. Ambos, de preferência. (Neusa Barbosa)
18/10 - 21:20 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 1
27/10 - 13:45 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 2
Silvestre
Figura recorrente da Mostra, a atriz e diretora portuguesa Maria de Medeiros tinha apenas 16 anos quando estreou no cinema em Silvestre, de João César Monteiro, que é exibido no festival no ciclo de homenagem ao produtor Paulo Branco, que recebe Prêmio Leon Cakoff.
Lançado em 1981 e agora exibido em cópia restaurada, trata-se de uma espécie de Barry Lyndon protagonizado por Diadorim. Com roteiro do próprio diretor, o filme combina duas narrativas tradicionais portuguesas A Donzela Que Vai à Guerra (de raiz judaica peninsular) e A Mão do Finado (integrado no ciclo do Barba Azul), numa trama protagonizada por Silvia (Medeiros), uma jovem cujo pai, Dom Rodrigo (João Guedes), a promete a Dom Paio (Jorge Silva Melo).
Uma série de imbróglios, no entanto, a levam a se disfarçar de homem, assumindo a identidade de Silvestre, e ir a uma guerra, onde conhece um Alferes (Xosé Maria Straviz), por quem parece se interessar, com uma leve tensão sexual e sentimental instalando-se entre eles.
Monteiro embala tudo isso numa atmosfera quase de fábula, com uma fotografia excepcional de Acácio de Almeida e diálogos marcados pelo poético e um humor inusitado. A conversa entre Silvia e sua irmã (Raquel Maria), quando ela decide se disfarçar de homem é bem curiosa e construída numa métrica perfeita.
Silvestre é uma boa introdução ao universo de Monteiro, que, com o tempo, se tornou um diretor mais exigente com seu público, e apresenta aqui alguns dos elementos que se tornariam caros ao seu cinema. (Alysson Oliveira)
18/10 - 16:00 - CINE SEGALL
21/10 - 17:00 - CINEMATECA - SALA OSCARITO
26/10 - 16:40 - RESERVA CULTURAL - SALA 2
31/10 - 13:50 - CULTURA ARTÍSTICA
Quase da Família
Quase da Família é um documentário póstumo da cineasta Joyce Prado, falecida no final de 2025, e que na Mostra de 2021, com Chico Rei Entre Nós, recebeu Menção Honrosa do Júri e foi premiado como Melhor Documentário Nacional pela escolha do público. O novo longa se encaixa com clareza em sua filmografia em sua indagação sobre a intersecção entre raça e classe social.
Como o título já indica, é um longa sobre trabalhadoras domésticas e sua luta desde a fundação, em 1936, da primeira associação da categoria no país por Laudelina de Campos Mello, que é o centro do documentário. Trazendo entrevistas dela própria, o filme resgata esse quase um século de batalha pelos direitos das trabalhadoras, uma profissão ainda marcada pela herança escravocrata do país.
A luta começa com a regulamentação de uma profissão que não era reconhecida legalmente, e atravessou o movimento pela igualdade racial, duas questões caras a Laudelina, como fica bem evidente em suas entrevistas. Apesar de todos esforços da categoria, a exploração e irregularidade continuam até hoje, mesmo com a PEC das domésticas, do qual a deputada Benedita da Silva foi relatora. Ela mesma dá seu depoimento no filme, e ressalta a importância da presidenta Dilma Rousseff na promulgação da Emenda Constitucional nº 72, de 2013.
Prado fez um filme potente em sua investigação com depoimentos reveladores. Quase da família é um documentário para ficar para a posteridade, ressaltando que a luta continua. (Alysson Oliveira)
17/10 - 19:30 - RESERVA CULTURAL - SALA 2
21/10 - 17:30 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 3
29/10 - 13:45 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 2
Talismã
Segundo longa de Thais Fujinaga, Talismã é uma espécie de Belíssima brasileiro para a era das redes sociais. O tema do clássico de Luchino Visconti ganha um roupagem contemporânea na história da mãe que tenta de tudo para que a filha ganhe um concurso de talentos mirins na televisão, para que ela mesma possa fazer as pazes com o seu passado.
Tereza (Fernanda Chicolet, também autora do roteiro com Fujinaga) é uma mãe solo, professora de dança que cuida da filha pequena, Pina (Sophia Fuggacy), com a ajuda do pai (Stepan Nercessian), em Porto Alegre. A menina, que além de carismática é talentosa, e começa a se destacar no concurso local, com chances de ir para a final no Rio de Janeiro.
Mais do que o vínculo entre mãe e filha, a relação entre a dupla é marcada por expectativas e conquistas. Pina parece querer ganhar o concurso mais para agradar à mãe do que por vontade própria. E Tereza não nota isso, interessada apenas na possibilidade de sua filha realizar o sonho do reconhecimento e da fama.
As redes sociais têm um papel preponderante nisso. Ídolos são desfeitos e derrubados muito rapidamente, assim como as pessoas, mesmo comuns, são julgadas e canceladas com muita facilidade. Fujinaga e Chicolet não fazem disso a questão central no filme, mas indagam como as redes sociais ajudam a modelar o pensamento e, em última instância, a vida.
O filme toma, muitas vezes, o ponto de vista da própria Pina, inserindo uma nota de ingenuidade em alguns momentos. Mas Fujinaga, premiada no Festival do Rio, tem um domínio de cena marcante e conta com o trunfo do entrosamento entre as duas atrizes principais e a presença do veterano Nercessian. (Alysson Oliveira)
17/10 - 19:10 - RESERVA CULTURAL - SALA 1
22/10 - 15:00 - CINESYSTEM BELAS ARTES FREI CANECA 2
Isabel
Marina Person estrela e assina a co-autoria do roteiro de Isabel, outro filme brasileiro que teve sua première mundial na seção Panorama, vivendo uma sommelière paulistana que sonha deixar de lado um trabalho frustrante num restaurante fino e abrir seu próprio bar de vinhos.
Atriz e diretora de filmes como o curta Almoço Executivo (1996) e o longa Califórnia (2015), Marina atua numa chave espontânea e sutil para encarnar essa mulher trabalhadora, de classe média, circulando por uma São Paulo mais acolhedora e diversa, longe da Faria Lima e dos Jardins. Nas entrevistas exclusivas que me concederam em Berlim, a
atriz e corroteirista, o ator Caio Horowitz e o diretor Gabe Klinger explicaram suas intenções em mostrar essa São Paulo longe dos arranha-céus e desafiando o conceito-padrão dos europeus, que costumam considerar que o vinho é um território que lhes pertence mais do que aos outros continentes. (Neusa Barbosa)
17/10 - 15:00 - CINESESC
27/10 - 19:45 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 1
Privadas de Suas Vidas
Combinando terror, escatologia, comédia e melodrama, Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner (SP), foi o filme mais surpreendente da mostra competitiva do Festival de Brasília. Acabou acumulando três prêmios: melhor atriz para Martha Nowill, melhor atriz coadjuvante para Olivia Torres e melhor direção de arte para um filme que não teme usar o escatológico para retratar a crise pessoal de uma mãe solo.
Acumulando também a passagem por diversos festivais internacionais do mundo, começando por Roterdã, em fevereiro, a obra sacudiu a plateia do Cine Brasília, entre gargalhadas, choque por algumas cenas verdadeiramente gore e também emoções delicadas - porque o roteiro, assinado pelos diretores, tem o cuidado de elaborar seus personagens muito acima da caricatura, como é raro acontecer em filmes de gênero.
Filmado em película 16mm, numa produção com vários cenários e efeitos especiais, Privadas de Suas Vidas tem outro trunfo num elenco primoroso, encabeçado por Martha Norwill, ao lado de Regina Braga, Otávio Müller, Benjamin (estreando no cinema), Olivia Torres, Chandelly Braz, Marco Pigossi, Caetano Gotardo e uma participação especialíssima de Gilda Nomacce.
Dando à expressão “piadas de banheiro” um sentido literal, o filme tem no centro de sua trama um misterioso fenômeno que torna assassinas sugadoras de gente as privadas de um prédio no centro de São Paulo. Uma privada comum esteve, aliás, no centro de uma tragédia acidental na vida da protagonista, a produtora de eventos Malu (Martha Norwill), causando a morte de um de seus filhos gêmeos.
Sofrendo de uma constipação que é uma metáfora desse trauma que ela não consegue superar, Malu leva adiante sua vida, ao lado do parceiro Norberto (Fábio Marx). A filha sobrevivente, Luara, tornou-se adolescente e transicionou, adotando uma identidade não-binária, sob o novo nome de Gênesis (Benjamin), o que a mãe não aceita.
A situação central ocorre no prédio onde mora Malu e em cujo salão de festas vai organizar um chá-revelação para a influencer grávida Suellen (Chandelly Braz), o que dá oportunidade a que o roteiro faça uma crítica sarcástica a esse fenômeno moderno e cafona. Também não falta um toque de denúncia de luta de classes na situação do porteiro Villaça (Otávio Müller), prestes a ser demitido após 18 anos de exploração.
Tirando proveito de um orçamento generoso para esse tipo de produção (cerca de R$ 6 milhões), Privadas de Suas Vidas coloca em cena todo um pesadelo em várias sequências em que moradores vão sendo sugados de maneira mais sangrenta, como a mística Katka (a ótima Olívia Torres) e a idosa Emengarda (Regina Braga), semeando a trilha de um massacre que reflete um mundo distópico mas em que sentimentos genuínos podem, no seu devido tempo, nascer.
O também diretor Caetano Gotardo entra como ator, interpretando um palhaço no chá-revelação, e também como compositor de duas canções da trilha, inclusive uma inspirada composição que embala os créditos finais e traduz o espírito de uma história que, apesar da aparência nojenta, é capaz de levar a outros lugares. (Neusa Barbosa)
17/10 - 20:30 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 1
23/10 - 19:15 - CINESYSTEM BELAS ARTES FREI CANECA 4
Homem ao Mar
Exibindo em Veneza, fora de competição, este seu terceiro longa, o ator mexicano Gael García Bernal, coloca uma parte de Brasil na história, que ele corroteirizou com Mariano Pensotti.
O próprio Gael interpreta o protagonista, Camilo, um salva-vidas cubano que é apadrinhado por um milionário mexicano, Abel (Jorge Salinas), quando salva sua vida. Levado para o México por seu protetor, torna-se seu braço direito em sua empresa e acaba casando-se com a filha dele, Juana (Esmeralda Pimentel), com quem tem uma filha.
O Brasil entra na história com uma novela que Camilo assiste, cuja protagonista é a atriz Débora Nascimento, que finalmente será engajada por Juana para fazer seu papel num filme que a herdeira resolveu dirigir, retratando sua própria vida.
A novela brasileira, que tem conteúdo político e um protagonista chamado Lula, que é preso por sua militância e se parece bastante com o presidente brasileiro em sua juventude, se corresponde também com a situação da própria empresa de Abel, que em determinado momento decide que a venderá aos holandeses e partirá para uma carreira política, embarcando numa campanha de defesa do meio ambiente.
Com tom de sátira, Homem ao Mar aborda temas sérios, como o arrivismo, a exploração dos ricos e herdeiros e os jogos de aparências em sociedade, em que todos tentam sobreviver. E faz muito humor com os sotaques diferentes dos latino-americanos. Ao final, na subida dos créditos, outra participação brasileira, com a música Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell. (Neusa Barbosa)
18/10 - 14:50 - ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 1
27/10 - 16:45 - CULTURA ARTÍSTICA
28/10 - 14:00 - SOLAR SALA PETROBRAS
29/10 - 19:00 - RESERVA CULTURAL - SALA 1
Dao
Dirigido pelo franco-senegalês Alain Gomis, Dao tornou-se aquele tipo de filme que eletriza discussões pela mistura de gêneros e a narrativa desafiadora - inclusive pela nada generosa duração de 185 minutos. Partindo de personagens reais como pontos iniciais da pesquisa e entrelaçando atores e não-atores na tela, Gomis cria um enredo que liga um casamento, uma cerimônia fúnebre e várias festas e danças da comunidade de Guiné Bissau, inserindo a energia africana no Festival de Berlim, onde teve sua première mundial.
É um filme que não pretende fixar-se nem na ficção, nem no documentário, para seguir algumas pessoas, como Gloria, a mulher cujo pai falecido está no centro de uma complexa cerimônia na Guiné, durante vários dias, e o casamento de sua própria filha, Nour.
Abarcando os aspectos opostos mas também complementares dessas duas cerimônias, o filme capta uma energia vital atraente - embora, às vezes, pareça que Gomis tenha se apegado demais a algumas pessoas para não perceber que faria bem ao filme enxugar algumas sequências, em prol de seu ritmo.
De todo modo, é um filme que aspira a uma originalidade, frescor e ousadia para tentar o risco, sem medo de algumas hesitações e impurezas. Isto é cinema em estado bruto. (Neusa Barbosa)
18/10 - 15:00 - CINE SATYROS BIJOU
20/10 - 18:00 - CINESYSTEM BELAS ARTES FREI CANECA 4
25/10 - 20:15 - CINESYSTEM BELAS ARTES FREI CANECA 5
28/10 - 15:00 - CINE BELAS ARTES SL 1 LEON CAKOFF
A Garota com a Leica
Atração de abertura da seção Horizontes, em Veneza, o filme de Alina Marazzi, uma coprodução entre Itália e Alemanha, resgata a figura da fotógrafa Gerda Taro (Emilia Schüle) e sua ligação com Robert Capa (Aaron Altaras). Materializando sua ficção, mas utilizando-se de considerável quantidade de materiais de arquivo, o filme retrata a personalidade livre desta jovem, que não viveu sequer 27 anos, mas consumiu sua chama amorosa e criativa com um fôlego e paixão admiráveis.
O valor que esta história possa ter refere-se mais à atenção com o crescimento do fascismo, que angustiava sobremaneira Gerda - uma alemã de origem polonesa e judia, que fugiu do nazismo que se iniciava, radicando-se em Paris, e dedicou sua curta vida a retratar em fotografias a luta dos republicanos espanhóis contra os golpistas de Francisco Franco.
É pena que, num determinado momento, o filme sucumba à tentação de focalizar demais as ligações amorosas de Gerda, com outros homens como o médico Georg (Lucas Englander), o amigo Willy (Thomas Schubert, de Afire) e também a amiga Ruth (Luna Wedler, que venceu o prêmio Marcello Mastroianni como revelação em Veneza 2025, no filme húngaro Amiga Silenciosa). Gerda Taro continua à espera de uma biografia à sua altura. (Neusa Barbosa)
18/10 - 18:30 -CINE SATYROS BIJOU
21/10 - 14:00 - INSTITUTO MOREIRA SALLES - PAULISTA
24/10 - 17:00 - CINE BELAS ARTES SL 1 LEON CAKOFF
26/10 - 11:00 - SOLAR SALA PETROBRAS
