22/09/2026

Festival de Brasília antecipa calendário e desiste de ineditismo

Em sua 44ª edição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais antigo do País, que começa nesta segunda (26-9), deu uma sacudida – antecipou em dois meses a sua data de realização (de novembro para setembro), introduziu a exibição digital em suas mostras competitivas, aumentou o prêmio de melhor longa (de R$ 80.000,00 para R$ 250.000,00, igualando o Festival de Paulínia) e abriu mão do ineditismo na seleção dos concorrentes à sua seção competitiva.

Com a antecipação de sua data, a nova coordenação do festival resolve, em tese, seu pior problema: acontecer no final do calendário anual, com opções reduzidas de seleção ao vir logo depois de festivais grandes, como o Festival do Rio e Mostra de São Paulo.

De todas as mudanças, a desistência do ineditismo é mais polêmica. Nesta primeira experiência no novo formato, Brasília terá mais da metade dos concorrentes em longas 35 mm, ou seja, quatro deles, já exibidos e até premiados em outros festivais anteriores. É o caso de Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, que teve sua avant première na seção Un Certain Regard, no Festival de Cannes, além de premiado com dois troféus (Especial do Júri e melhor som) no Festival de Paulínia, em julho, e com estreia comercial marcada para 30 de setembro, dias depois de sua sessão brasiliense.

Também veio de Paulínia o drama Meu País, do estreante em longas André Ristum – que não venceu prêmios ali e tem no elenco um forte trio de atores, Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauã Reymond, vivendo um problemático trio de irmãos. Igualmente passou primeiro em Paulínia a atração da noite de abertura de Brasília, Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho (vencedor do prêmio de melhor documentário no festival paulista). A diferença é que a sessão brasiliense vai contar com presenças especialíssimas do rock local, personagens do filme – como o vocalista e guitarrista Philippe Seabra e o baixista André Mueller, da Plebe Rude, o baterista Fê Lemos e o baixista Flávio Lemos, do Capital Inicial, além de Carmem Tereza Manfredini (irmã de Renato Russo).

Do último Festival de Gramado foi selecionado o concorrente As Hiper-mulheres, documentário que resgata um antigo ritual feminino indígena entre os kuikuros, e que foi codirigido por um deles, Takumã Kuikuro, ao lado do antropólogo Carlos Fausto e do também montador Leonardo Sette (do curta Ocidente). O filme venceu um Prêmio Especial do Júri e também de melhor montagem em Gramado.

O concorrente baiano O homem que não dormia, de Edgar Navarro – grande vencedor em Brasília 2005 com seis prêmios para seu intimista Eu me lembro -, teve sua avant première em julho na Mostra Internacional do CineFuturo, em Salvador.

Inéditos, portanto, somente os outros dois concorrentes, o drama Hoje, da paulistana Tata Amaral, que tem Denise Fraga e o uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa, Cabeça a Prêmio) no elenco, revisitando o drama de uma mulher que procura superar suas perdas na ditadura militar; e o documentário Vou rifar meu coração, uma entrada no mundo da música brega, de Lindomar Castilho a Amado Batista, dirigido pela carioca Ana Rieper.

Todos os filmes são, é claro, inéditos em Brasília – o que pode demonstrar uma intenção, ao menos nesta edição, de ter um festival com foco mais local do que nacional.

Curtas de animação
Outra novidade na programação é a inclusão de uma mostra competitiva de curtas de animação, com 12 concorrentes, contemplando um setor muito dinâmico no País e que poderá funcionar como atrativo à conquista de platéias mais jovens. Completa a competição a seção de curtas em outros formatos, com outros 12 competidores, alguns igualmente não inéditos.

Seminário com ministra
Um dos eventos que deve atrair as maiores atenções é o seminário Novas Perspectivas para o Cinema e o Audiovisual Brasileiro, que será aberto na quarta (28), com a presença da ministra da cultura, Ana de Hollanda.
Estendendo-se por três dias, o evento contará com a presença de políticos – como o ex-ministro, José Dirceu -, produtores e diretores, como Roberto Farias, Mariza Leão, Cacá Diegues, Diler Trindade e Luiz Carlos Barreto. Com todos esses ilustres e poderosos convidados, espera-se que suba a temperatura política no festival e que saiam algumas propostas para renovação do setor.

A noite de premiação é na segunda (3-10).

MOSTRA
COMPETITIVA DE FILMES DE LONGA-METRAGEM
1. As
hiper-mulheres
, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e
Takumã Kuikuro, 80min,
RJ/PE
2. Hoje,
de Tata Amaral, 90min, SP
3. Meu
país
, de André Ristum, 90min,
SP
4. O
homem que não dormia
, de Edgard Navarro, 95min, BA
5. Trabalhar
cansa
, de Juliana Rojas e Marco Dutra, 99min,
SP
6. Vou
rifar meu coração
, de Ana Rieper, 76min,
RJ

MOSTRA
COMPETITIVA DE FILMES DE CURTA-METRAGEM
1. A
casa da vó Neyde
, de Caio
Cavechini, 20’,
SP
2. A
Fábrica, de Aly Muritiba
,
15’,
PR
3. De
lá pra cá
, de Frederico Pinto, 15’, RS
4. Elogio
da Graça
, de Joel Pizzini, 25’,
RJ
5. Imperfeito,
de Gui Campos, 14’, DF
6. L,
de Thais
Fujinaga, 21’, SP
7. Ovos
de dinossauro na sala de estar
, de Rafael
Urban, 12’,
PR
8. Premonição,
de Pedro Abib, 15’,
BA
9. Ser
tão cinzento
, de Henrique Dantas, 25’,
BA
10.
Sobre o menino do Rio, de Felipe Joffily, 13’,
RJ
11.
Três vezes por semana, de Cris Reque, 15’,
RS
12.
Um pouco de dois, de Danielle Araújo e
Jackeline Salomão, 20’,
DF

MOSTRA
COMPETITIVA DE FILMES DE CURTA-METRAGEM DE
ANIMAÇÃO
1. 2004,
de Edgard
Paiva, 5’48”,
MG
2. A
mala
, de Fabiannie Bergh,
1’45”, PA
3. Bomtempo,
de Alexandre Dubiela, 1’30”,
MG
4. Cafeka,
de Natália
Cristine,
2’29”,
RS
5. Céu,
inferno e outras partes do corpo
, de Rodrigo John,
7’33”,
RS
6. Ciclo,
de Lucas
Marques Sampaio, 3’40”,
DF
7. Media
training
, de Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira,
11’39”,
SP
8. Menina
da chuva
, de Rosaria, 6’, RJ
9. Moby Dick, de Alessandro Corrêa, 8’, SP
10. Quindins,
de David Mussel e Giuliana Danza,
9’22”,
MG
11. Rái
sossaith
, de Thomate, 10’, SP
12. Sambatown,
de Cadu Macedo, 5’41”,
SP