Brasília tropeça na ficção científica e decola na realidade
- Por Neusa Barbosa, de Brasília
- 28/11/2019
- Tempo de leitura 4 minutos

Brasília - Se a diversidade sempre foi a marca do Festival de Brasília, a 52a edição se mantém fiel ao princípio, ainda que enveredando por caminhos diferentes dos anos anteriores.Primeiro filme mato-grossense exibido na história do festival, Loop, escrito e dirigido pelo estreante em longas Bruno Bini, protagonizado pelo ator global Bruno Gagliasso e coproduzido por Fernando Meirelles e a Globo Filmes, surpreendeu não tanto pela viagem na ficção científica, mas por incongruências de roteiro e realização.Ficção científica em Brasília não é novidade - lembre-se apenas de Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós, que passou por aqui em 2017, encharcada de um toque de crítica social. Loop passa muito longe disso. Drama romântico-policial de toque fantástico, segue os esforços desesperados do físico Daniel (Gagliasso) para voltar no tempo e salvar da morte sua namorada (Bia Arantes). Começa numa cena de assassinato, com a participação de um delegado (Roberto Birindelli), tão obcecado quanto Daniel para resolver uma série de crimes.

Toda essa mistura de elementos, nada fácil de conduzir para qualquer diretor, imagine-se para um estreante, resulta num filme irregular, não de todo ruim em sua intenção de embaralhar gêneros, mas que embarca numa jornada cada vez mais inverossímil do protagonista, que envolve também sua irmã (Branca Messina, uma boa atriz que o cinema brasileiro pode aproveitar melhor). A plateia aplaudiu, mas, mesmo assim, ficou no ar uma impressão de perplexidade - o que é que este filme está fazendo na competição?

Universo feminino
Andaram bem melhor os dois ótimos curtas da noite, Ângela, de Marília Nogueira (ao centro, na foto ao lado), e Rã, de Julia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti (SP), dois mergulhos no intimismo feminino muito bem realizados.
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