Matteo Garrone exibe sua versão de "Pinocchio" em Berlim
- Por Mariane Morisawa, especial de Berlim
- 26/02/2020
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A história de Pinóquio, criada por Carlo Collodi, já foi adaptada muitas vezes para o cinema e a televisão – a versão anime dos anos 1970 traumatizou as crianças da época ao colocar o boneco de madeira gritando “Vovozinhooo!” sempre que estava em perigo. Matteo Garrone, que é conhecido tanto pela crueza de Gomorraquanto pela homenagem aos contos de fada O Conto dos Contos, resolveu combinar as duas coisas para adaptar o livro de sua infância em
Pinocchio, exibido fora de competição no 70º Festival de Berlim.
Curioso é que Roberto Benigni, que dirigiu e protagonizou sua própria versão em 2002, agora faz o papel de Gepeto. Pinóquio é interpretado pelo menino Federico Ielapi com a ajuda de uma impressionante maquiagem prostética.
O Pinóquio de Garrone não esconde a dureza do mundo real. Logo no começo do filme, Gepeto aparece usando suas ferramentas para tirar pequenas lascas da casca de um queijo. A pobreza é evidente. E mesmo quando Pinóquio parte em sua aventuras pelo mundo, as injustiças são muito claras, como se vê no julgamento em que culpados são inocentados e inocentes são culpados. Garrone decidiu antropomorfizar os animais alegóricos que Pinóquio encontra em seu caminho para se transformar em menino. O resultado é de encantamento.