- Por Neusa Barbosa
- 05/07/2004
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Reativando a tentativa de estabelecer uma escola brasileira de animação, Maurício de Sousa põe na tela cinco historinhas com alguns de seus mais populares personagens de gibi: Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, com pequenas participações de coadjuvantes, como Franjinha, Jotalhão e Horácio. Caprichando na técnica, mas não esquecendo dos roteiros, o filme se apóia em cinco historinhas extraídas de revistas em quadrinhos - e não nega a origem, ao colocar como ponto de partida a invenção, pelo criativo Franjinha, de um "projetor" de gibis, que tem o formato de um mega-liqüidificador. A primeira história é uma engraçada homenagem ao próprio cinema, em que os personagens da Turma da Mônica satirizam cenas antológicas de diversos filmes famosos, como E.T., Titanic, Planeta dos Macacos, Tubarão, King Kong, Guerra nas Estrelas, 2001 - Uma Odisséia no Espaço e outros, ao som da divertida musiquinha Vamos Todos ao Cinema. No segundo episódio, Em Busca do Nariz de Isabele, desencadeia-se uma trama quase policial para descobrir onde é que foi parar a peça do nariz de um gigantesco quebra-cabeças. No terceiro, Concurso de Beleza, os meninos liderados por Cebolinha armam um concurso em que combinam escolher Mônica como a menina mais bonita, acreditando que o troféu acalmará sua agressividade, livrando-os dos ataques certeiros com o coelhinho Sansão. Amor Dentuço insinua um clima de história de terror ao colocar a obsessão de um vampirinho apaixonado, Ivã Piro, por transformar Mônica em sua parceira - o que provoca uma ação conjunta de seus fiéis protetores, Cascão e Cebolinha. No episódio O Caça-Sansão, um cientista maluco usa o coelhinho de pelúcia de Mônica como cobaia numa experiência, transformando-o num gigante que não cabe em lugar nenhum e incomoda muita gente. Finalmente, Irmão Cascão explora os dois lados da obsessão de Cebolinha por ter um irmão, levando-o a "adotar" Cascão para o papel - e o outro torna-se mais espaçoso do que o esperado. O que distingue, afinal, esta produção das concorrentes internacionais é esta criatividade a partir da simplicidade, que sinaliza um tipo de inocência infantil que não é muito explorado atualmente - e esta é uma de suas grandes qualidades. Os personagens de Maurício de Sousa são as crianças eternas que sempre conhecemos, sem as afetações de época nenhuma. Elas dispõem apenas das ferramentas de sua insaciável energia e imaginação.
