20/07/2026
Drama

Plataforma

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A chamada 6ª geração do cinema chinês, da qual o diretor deste filme, Jia Zhang Khe, é um dos maiores expoentes, está formulando a sua própria versão de Nouvelle Vague, Cinema Novo, ou como quer que se denomine a busca de uma cinematografia renovada, que capture a pulsação que vem das ruas, do cotidiano, dos pequenos fatos e onde a grande História entra como pano de fundo. É o caso deste filme, selecionado para a competição oficial do Festival de Veneza de 2000, como também de Abandono do Sucesso e Banhos, de Zhang Yang, e Bicicletas de Pequim, de Wang Xiaoshuai, todos eles já exibidos no Brasil e dignos representantes das novas tendências.

Independentemente das denominações, que sempre correm o risco de serem limitadas, o cinema que está sendo produzido pelos sucessores de Zhang Yimou e Chen Kaige - os mais celebrados da 5ª geração - mostra disposição para discutir a China pós-Mao Tsé-tung. Plataforma decola a partir do final dos anos 70, nos últimos momentos da Revolução Cultural e seu sufocante obscurantismo. São, também, os últimos dias do teatro estatizado, que monta peças celebratórias do regime comunista, como O Trem para Shaoshan (nome da cidade natal de Mao), visto no começo do filme.

O foco dramático fica em quatro jovens integrantes deste grupo teatral que, a partir de agora, será privatizado e terá de encontrar formas de manter-se e atrair um público cujo gosto está em transição e que começa a descobrir o rock´n´roll e a moda além das túnicas monocoloridas. As calças boca-de-sino são, aliás, o primeiro sinal visível de rebeldia contra a uniformidade, ostentadas pelos dois rapazes, Cui Mingliang (Wang Hong-wei) e o cabeludo Zhang Jun (Liang Jing-dong). A garota Zhong Pin (Yang Tiang-yi) fez permanente e experimenta viajar com o namorado, Jun, sem ter certidão de casamento - coisa que, ainda nos anos 80, podia levar um casal a uma delegacia chinesa. Cui, por sua vez, gosta de Yin Ruijuan (Zhao Tao), mas ela só pensa em ser bailarina e alega a oposição do pai contra o rapaz para descartá-lo. O comportamento sexual pode estar mudando, mas as famílias ainda tentam manter os tradicionais casamentos arranjados.

Filmando sempre com uma câmera distanciada dos personagens, em longos planos-seqüência, o diretor parece afogá-los numa realidade imensa, esmagadora, onde a amplidão da paisagem não é mais do que um contraste para uma aterradora falta de opções. Não há muito colorido neste dia seguinte do comunismo, em que os caminhos da privatização e da livre iniciativa não respondem automaticamente a todas as perguntas. Na pele destes quatro porosos personagens, Jiang Zhang Khe parece apenas querer afirmar que vida é muito maior do que a política.

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