04/06/2026
Drama

Reconstrução de um Amor

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Existe um certo exibicionismo técnico no cinema dinamarquês. Não que os cineastas de lá gostem de efeitos especiais - mas eles adoram mostrar que lentes, filtros e outros aparatos técnicos podem produzir vários resultados. Por um lado isso é bom - os filmes dinamarqueses têm uma cara sempre diferente; por outro, o conteúdo mais humano, e até mesmo o roteiro, sempre fica em segundo plano, por opção ou descuido.

Reconstrução de um Amor, ganhador do Caméra d'Or (prêmio para diretores estreantes) em Cannes 2003, não foge dessa maldição. As imagens são belíssimas e sofisticadas - criando uma estética própria do caos urbano e da solidão com o uso de filtros e imagens granuladas. Mas a história e os personagens são frios demais. Eles nunca transmitem a paixão avassaladora pela qual aparentemente estão tomados - não há a química para justificar as loucuras que eles cometem em nome do amor.

Durante dois dias, em Copenhague, a vida de quatro personagens se cruza, descruza e recruza. Alex (Nikolaj Lie Kaas, de Os Idiotas e Corações Livres) é um fotógrafo, que namora Simone (Maria Bonnevie) e se envolve com Aimee (também interpretada Bonnevie), casada com o escritor dinamarquês August (Krister Henriksson).

No metrô com Simone, Alex vê Aimee, por quem se sente imediatamente atraído. Largando a namorada sozinha dentro do vagão, ele segue a desconhecida. Eles se dão bem logo de início, e a noite acabará no quarto do hotel onde ela está hospedada.

Mas o filme pega um desvio à la David Lynch. No dia seguinte, Alex aparentemente não faz mais parte de sua própria vida. Simone diz que nunca o viu, seus amigos não o reconhecem, e ele não tem a menor noção do que está acontecendo. Talvez a chave para a solução do mistério esteja nas mãos da bela Aimee. Ou não.

Plasticamente irretocável, exercício de estilo para uns, exibicionismo para outros, Reconstrução de um Amor nunca vai além do rigor técnico. O fotografia de Manuel Alberto Claro dá ênfase a tons de azul, vindo bem a calhar com o produto final. O filme é frio demais para um longa que se propõe a contar uma história sobre relacionamentos. Menos técnica e mais emoção não fariam nenhum mal.
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