21/07/2026
Suspense

A Vila

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A crítica de cinema em geral não deixa de se queixar da falta de profundidade e emoção do gênero fantástico atual. Aponta de forma constante, e com razão, que a preocupação com os requerimentos mercadológicos vai sempre na contramão de boas narrativas, conduzidas por personagens bem desenvolvidos. Isto é, criou-se uma fórmula simplória que vende, em detrimento da criatividade e originalidade cinematográfica.

Quando fez seu primeiro sucesso, O Sexto Sentido, o diretor M. Night Shyamalan mostrava a profundidade necessária e esperada pelos cinéfilos. Mais do que isso, o suspense da história e a surpreendente conclusão do filme deram luz a sua competência em conduzir uma trama envolvente. Os personagens, finalmente, tinham personalidade e não apenas eram fantoches de roteiristas em busca de desculpas para passar de um efeito especial para outro.

No entanto, suas obras posteriores (Corpo Fechado, Sinais) apresentaram claras falhas, com erros lógicos e incongruências berrantes. Em Sinais, por exemplo, com seus alienígenas histéricos e alérgicos que sequer conseguem abrir uma fechadura, o diretor ignorou completamente todas as qualidades que o fizeram notório. E Corpo Fechado não passou de um embuste, que se aproveitou do vácuo de Sexto Sentido.

Enfim, a esperança se direcionava a sua nova produção, A Vila, um suspense sobrenatural sobre um vilarejo atormentado por estranhas criaturas que vivem na floresta ao seu redor. Os aldeões, pessoas simples que aparentemente vivem no final do século XIX, estão sempre alertas para evitar que suas fronteiras sejam invadidas pelos enigmáticos monstros vestidos de vermelho - cor proibida na aldeia.

O fato é que existe um pacto misterioso entre esses seres e o grupo dominante dos humanos, impedindo o aniquilamento total da vila. Mas, a situação começa a mudar quando um dos aldeões precisa de cuidados médicos, e alguém deve sair dos limites da comunidade - invadindo o espaço das criaturas - para buscar ajuda em outra cidade. A trégua pode então ter chegado ao fim.

Embora o filme possua um excelente clima de suspense, cenas de irresistível humor e uma eficaz apresentação do conflito, o diretor se perde no meio. Shyamalan não consegue manter a coerência na segunda parte do filme e ainda nos pede para engolir uma surpreendente revelação final, que mais parece um truque barato de roteirista desesperado para chocar o público. Ou seja, a segunda metade da história trai toda a apresentação, funcionando de forma análoga à própria carreira do diretor.

E o erro aqui é evidente, pois existem inúmeros pontos positivos que poderiam impedir o catastrófico final. O trabalho dos atores é um exemplo, em particular o de William Hurt, Adrien Brody e Bryce Dallas Howard, como a jovem cega que rouba todo o filme. Até porque os papéis de Sigourney Weaver, Brendan Gleesson e Joaquin Phoenix na trama são bastante diminutos para realmente fazer qualquer diferença. A fotografia e a ambientação, em outro sentido, também contribuem para a atmosfera de angústia e pelo clima fantástico, potencializados pelos cenários quase minimalistas.

Os espectadores ainda poderão perceber uma curiosa metáfora da situação mundial atual. O problema de revelar mais sobre esse detalhe pode levar a algumas informações indiscretas sobre a conclusão do filme. Seja como for, é um objetivo interessante, que acrescenta certo valor à produção, mas não redime Shyamalan de seu equívoco mais evidente: arruinar a história ao deixar o fantástico em busca de um cinema panfletário.
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