Tecnicamente caprichado, o suspense sobrenatural A Sétima Vítima acaba sendo um vago exercício de estilo, perdendo ótimas chances de realmente assustar. Repleto de momentos bem sacados, o roteiro nunca consegue criar uma unidade entre as suas cenas e tramas, além de não ter bases mais sólidas, tanto para o terror psicológico como para o desenvolvimento. Ainda assim, o filme, uma co-produção entre a Espanha e EUA, fez um moderado sucesso em telas européias, quando foi lançado no ano passado.O medo que as crianças têm do escuro serve como desculpa para alavancar a história. Mark (Iain Glen), sua mulher Maria (Lena Olin) e os filhos Regina (Anna Paquin) and Paul (Stephan Enquist) se mudam dos Estados Unidos para a Espanha. Eles vão morar numa casa antiga, no meio do nada, que aparentemente tem um passado e vida própria. Não demora muito para os clichês do gênero surgirem, a chuva cai incessantemente, as luzes piscam a toda hora. Para piorar, o pai volta a sofrer de uma grave doença mental, que ora lhe causa convulsões, ora o deixa mais violento.Maria parece não ligar muito para isso, nem para o fato de hematomas aparecerem do nada no corpo de seu filho pequeno; nem para os desenhos de crianças mortas que ele faz. É Regina quem acaba tomando o papel da mãe, tentando salvar a sanidade da família. Ela conta com a ajuda de seu namorado espanhol Carlos (Fele Martínez). Juntos acabam descobrindo que a casa é mal assombrada. Em busca de respostas, vão procurar o arquiteto que fez aquela construção. Ele trará à tona verdades assustadoras.O roteiro, escrito pelo diretor Jaume Balagueró e outros dois colaboradores, é uma espécie de amálgama de diversos filmes do mesmo gênero, mais bem-sucedidos, comercial e intelectualmente. As 'referências' mais evidentes são Os Outros (2001) e O Sexto Sentido (1999), com o agravante de não ter nem o charme, nem a novidade dos dois - mas também sobra espaço para clássicos como O Iluminado (1980) e Poltergeist (1982). Curiosamente, há mais coincidências com o filme de 2001. Tanto A Sétima Vítima como Os Outrosforam dirigidos e escritos por espanhóis; e o título do segundo era para ser "Escuridão", ou mesmo nome original desse longa.O elenco encontra um pouco de força nas crianças, uma vez que Lena para estar entediada com o seu papel e Glen é exagerado como o pai que vai perdendo a sanidade - longe da competência de Jack Nicholson em O Iluminado, por exemplo. Paquin, que a cada trabalho só faz confirmar a teoria de que seu Oscar por O Piano (1993) foi um erro, se esforça e, ao lado do pequeno Enquist, é a única que tenta dar certa dignidade a A Sétima Vítima. Para completar o quadro de estragos dessa vítima, existe uma grande implausibilidade lingüística. O filme se passa inteiramente na Espanha, mas todos falam inglês - não seria um problema, afinal, está lidando com americanos em outro país. Porém, até os jornais locais são publicados em inglês. Esse tipo de bobagem sim, assusta mais do que o escuro.
