26/08/2026
Drama

Ilusão de Movimento

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As ditaduras da América Latina já renderam tema de boas produções cinematográficas. Além da severa crítica ao regime militar, alguns filmes levantam episódios dolorosos, como se relembrar essas histórias fosse uma forma de evitar os erros de outrora. Várias fitas argentinas já abordaram essa questão, caso do recente Kamchatka, de Marcelo Piñeyro, que concorreu ao Oscar, do documentário Botín de Guerra (de David Blaustein) e especialmente do clássico A História Oficial (de Luis Puenzo), vencedor do Oscar de filme estrangeiro. Produzidos com alguns anos de diferença, esses trabalhos discutem as marcas da ditadura na vida de crianças, provando que o assunto continua atual.

Agora é a vez do diretor argentino Hector Molina se debruçar sobre a questão. Em Ilusão de Movimento, ele se inspira no drama das mães e avós da Praça de Maio - movimento de luta para recuperar filhos e netos desaparecidos durante o regime militar -para contar a história do garoto David (Matias Grappa) e seu pai Gerardo (Carlos Resta).

Após dois anos, Gerardo retorna para a cidade de Rosário, província de Santa Fé, na Argentina. Ali ele reencontra seus antigos amigos, seu pai e a família de sua ex-mulher, Maria José, presa grávida e assassinada pela ditadura, após o nascimento do filho. O que Gerardo não esperava era encontrar seu filho David, com sete anos, recuperado pela avó materna, após ter vivido com diversas famílias. Daí para frente, Gerardo vai tentar se aproximar do menino e iniciar uma relação paternal.

Nos primeiros minutos da película, a impressão é que, após a apresentação da trama, a ação vai deslanchar e boas surpresas virão. Mas, após meia hora, o espectador é que sente a tal "ilusão de movimento". O filme acaba se arrastando na lengalenga de Gerardo tentando conquistar o garoto e as confusas cenas de flash-backs da ditadura.

Todavia, a fita traz bons momentos ao mostrar as peripécias de David e seu amiguinho Julián (Juan Rodriguez), filho do dono do bar, amigo de Gerardo. Os dois produzem os melhores diálogos, como, por exemplo, seus questionamentos e deduções a respeito da origem do Homem.

Em Ilusão de Movimento, a violência da ditadura aparece muito mais como um pano de fundo para tratar da relação afetiva entre pai e filho separados. Só que ao não aprofundar nem um nem outro tema, o filme se perde. Talvez se o diretor tivesse feito uma escolha, teríamos um filme mais emocionante e movimentado.

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