21/07/2026
Comédia

Papai Noel às Avessas

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As coisas estão mudando. Papai Noel não é mais um velhinho bonachão, de bochechas rosadas e que traz presentes para as crianças boazinhas. Ele é magro, beberrão, tem várias tatuagens, não dá presente para as crianças - mas sim ganha presente delas -, e quando não são elas que vomitam, é ele. Esse é o típico Papai Noel às Avessas. Ele não está nesse trabalho porque gosta de crianças - mas para poder assaltar as lojas de departamentos junto com seu cúmplice, o anão Marcus, que trabalha como ajudante de Papai Noel.

Por oito anos, Willie (Billy Bob Thornton) e o anão Marcus (Tony Cox) têm seguido a mesma rotina. Escolhem uma cidade nos Estados Unidos, pegam a maior loja de departamentos e se candidatam a uma vaga de Papai Noel e duende. Depois de trabalhar por cerca de um mês disfarçados e sondando, na noite de Natal ficam dentro da loja, arrombam o cofre, levam todo o dinheiro e algumas mercadorias. Depois é só curtir uns onze meses de férias, e, em dezembro do ano seguinte, começar tudo de novo.

Mas Marcus anda cansado de Willie, que, por sua vez, não está mais tão interessado no esquema. Beberrão, ele pretende comprar um bar à beira do mar e viver por lá. Como gasta toda a sua parte do golpe, sempre é obrigado a voltar atrás.

Nesse ano, porém, as coisas vão ser diferentes por dois motivos. Primeiro, porque o chefe de segurança da loja Gin (o comediante Bernie Mac) descobriu o esquema deles e vai querer a sua parte nos lucros. Em segundo lugar, entra em cena um garoto, gordinho, com o nariz escorrendo, que vive apanhando dos moleques na rua e mora sozinho numa casa luxuosa com a avó decrépita. Ou seja, não é a típica criança saudável, bela e feliz de um filme de Natal. Mas este também não é um típico filme de Natal.

Willie acaba sendo obrigado a se instalar na casa do garoto. Para onde, todas as noites, leva a sua namorada judia (Lauren Graham), que gosta de transar com ele fantasiado de Papai Noel, porque não podia comemorar a data na infância.

O diretor Terry Zwigoff (do documentário Crumb, de 1994) e os roteiristas Glenn Ficarra e John Requa (ambos de Como Cães e Gatos) pintam um retrato cruel do Natal. Por outro lado, bem mais perto da realidade do que aqueles filmes que mostram todos os problemas se resolvendo magicamente na noite de 24 de dezembro. A grande sacada de Papai Noel às Avessas é nunca sair do seu espírito politicamente incorreto, nem se render às soluções simples e melosas dos filmes natalinos.

Willie encontra o seu intérprete perfeito em Billy Bob. O Papai Noel é uma espécie de versão boca suja do personagem dele em O Homem que Não Estava Lá, de Joel e Ethan Coen, aliás, produtores deste filme. Nos estágios finais do alcoolismo, o personagem só segue em frente porque é empurrado por Marcus - não que esse tenha algum impulso altruísta (como o clímax irá provar), mas é porque realmente precisa de Willie para montar a sua farsa.

Papai Noel às Avessas vai contra todo o estereótipo dos filmes hollywoodianos. O garoto com sua ingenuidade e doçura não muda o comportamento e a moral de Willie. Por isso, o filme acaba sendo engraçado e subversivo. É o filme ideal para se ver em dezembro, em um cinema de shopping, e na saída passar pelo bom velhinho e quem sabe, com um pouco de sorte, ele não é um daqueles Papais Noéis tradicionais. A diversão será bem maior!
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