21/07/2026
Drama

A Casa dos Bebês

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Roteirista e diretor independente que é uma das reservas morais e de inteligência do cinema americano, John Sayles fez aqui um filme que parece, à primeira vista, pequeno. Mas basta reavaliar todos os assuntos que ele aborda para chegar à conclusão que de simples ele não tem coisa alguma.

Trata-se de um filme de mulheres. As protagonistas são seis americanas, hospedadas num hotel no México. O apelido do lugar é "Casa dos Bebês", uma alusão nada sutil ao que essas mulheres vieram fazer ali: adotar crianças abandonadas ou dadas em adoção para estrangeiros. Uma atividade que se tornou um bom negócio para intermediários como a dona do hotel, a sra. Muñoz (Rita Moreno) e seu irmão, um advogado que legaliza os papéis.

Correndo o risco de deixar em segundo plano - sem ignorar, porém - as sempre delicadas relações entre EUA e México, Sayles desdobra o filme em camadas. Em primeiro lugar, conhece-se uma a uma as mulheres ansiosas por um bebê alheio e suas diferentes razões para estarem nesta situação. Gayle (Mary Steenburgen) perdeu a chance de ser mãe por seu alcoolismo. Skipper (Daryl Hannah) sofreu três abortos espontâneos. Nan (Marcia Gay Harden), Jennifer (Maggie Gyllenhaal) e a irlandesa Eileen (Susan Lynch) também não conseguem conceber. Leslie (Lili Taylor) é uma solteira que não tem conseguido manter um relacionamento por tempo o bastante para ter um filho.

O painel emocional destas mulheres, hospedadas num lugar provisório, em compasso de espera e compartilhando emoções divididas - são ao mesmo tempo solidárias e concorrentes pelas crianças que chegam - é tecido com delicadeza e sobriedade pelo diretor, que tem a sorte de contar com um elenco experiente e empenhado. Essa espécie de "terra de ninguém" que o hotel representa constitui um bom paradigma para a tensão permanente entre mexicanos e americanos. Sem vitimizar uma parte, nem culpabilizar a outra nem dar soluções prontas, o filme oferece um território privilegiado para a reflexão sobre as diferenças, num contexto um tanto inesperado. Se não faz aqui um filme tão belo e transcendente quanto Lone Star - Estrela Solitária, com certeza Sayles oferece um filme digno de atenção.

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