A forma como o ator Christian Bale (o novo Batman) se entregou ao seu personagem em O Operário é o que mais chama a atenção nessa produção que fez sucesso no Festival de Sundance em janeiro de 2004. Não há apenas uma mudança física, mas, principalmente, psicológica.O Operário é um suspense psicológico à antiga. Principalmente sua primeira parte, em clima hitchcockiano. Trevor Reznik (Bale) é o operador de uma máquina em uma pequena fábrica que não dorme e não come direito há um ano. Ninguém sabe o porquê.Entre uma visita e outra à prostituta Stevie (Jennifer Jason Leigh) ele encontra tempo para trabalhar e passar a noite num aeroporto conversando com uma garçonete (Aitana Sánchez-Gijón). A amizade entre os dois se estreita cada vez mais. Ele chega até a ir ao parque com ela e o filho.Mas há algo de obscuro na mente de um homem que não consegue dormir. O catalisador para acelerar a degradação de Reznik será um acidente com uma máquina na fábrica que fará um amigo perder um braço.É quase tentador comparar Bale a Charlize Theron em Monster, mas isso não é honesto com nenhum dos dois. Em comum, eles têm a ausência de vaidade. Sem medo de perder a imagem física que tanto explorou em O Psicopata Americano, o ator está simplesmente pele e osso. Chegam a ser assustadoras algumas cenas. E não será nenhuma surpresa se ele for lembrado na próxima premiação do Oscar.O roteiro de Scott Kosar é irregular, mas nunca deixa de ser interessante. Os atores coadjuvantes estão na medida certa para que o personagem de Bale viva os seus fantasmas. As cores sempre escuras e opressivas só aumentam a claustrofobia do filme. A fábrica onde Reznik trabalha lembra muito a de Selma, de Dançando no Escuro - mas as músicas e danças são substituídas por uma opressão psicológica assustadora.
