22/07/2026
Comédia

Ágata e a Tempestade

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Talvez o maior elogio que se possa fazer a este filme seja que ele se equilibra lindamente sobre a ambigüidade. Aliás, de seu tratamento não-linear de uma espécie de realismo mágico é que a história tira sua verdade. Uma verdade cinematográfica, certamente, mas que concede a autenticidade de que toda e qualquer situação fictícia necessita para existir na imaginação do espectador.

À frente do elenco está a extraordinária Licia Maglietta, a intérprete exemplar de Pão e Tulipas - aqui com a vantagem de contar com uma história bem mais sofisticada, o que, contraditoriamente, poderá levá-la a ter um público menor do que o daquele pequeno sucesso do diretor Silvio Soldini.

Ágata (Licia) é a dona de uma pequena livraria, mulher descasada e plena de energia. Tanta energia, na verdade, que costuma provocar curto-circuitos em casa e na rua, queimando lâmpadas, eletrodomésticos e até semáforos à medida que passa - ou assim ela pelo menos acredita. Ela se envolve com um cliente da livraria, a quem costuma recomendar livros. Mas seu confidente ideal é mesmo o irmão, Gustavo (Emilio Solfrizzi).

Arquiteto de sucesso, casado com a psicóloga de um popular programa de televisão (Marina Massironi), Gustavo está solidamente ajustado a uma vida que parece um mar de tranqüilidade. Isso até o dia em que é procurado por Romeo (Giuseppe Batiston) e descobre que foi adotado. Ele e Romeo são irmãos. A mãe de ambos entregou Gustavo para adoção depois de uma gravidez imprevista na adolescência. Gustavo vai conhecê-la já no leito de morte.

A descoberta deste passado secreto - do qual nem a irmã Ágata suspeitava - abala a identidade de Gustavo e desencadeia toda uma reformulação de sua vida. Sua busca e a de Ágata coincidem - ambos se equilibram na corda bamba, sem qualquer certeza e uma grande disponibilidade para experimentar. Há aqui um humor nascido dos novos encontros dos dois irmãos, no ambiente de Romeo e sua mulher, Daria (Monica Nappo). Mas também flui do contato de Ágata com sua funcionária na livraria, Maria Libera (Giselda Volodi, um rosto decididamente apropriado a um filme de Almodóvar).

Este humor irônico, nunca rasgado, percorre todos os relacionamentos. Paralelamente, há situações bem dramáticas entre os casais. Mas o diretor Silvio Soldini consegue manter um ótimo equilíbrio. Por conta disso, seu filme parece um pedaço da vida, onde pessoas de verdade poderiam até morar. Soldini consolida-se como um dos melhores diretores do atual cinema italiano.

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