No início, os brasileiros Nelson Barretta e Ronaldo Franzen Jr. (Nativo), os argentinos Eduardo Hugo López (Tato) e Walter Rossini e o chileno Julio Contreras são vistos na antevéspera da aventura que sempre sonharam: escalar o monte Sarmiento, de 2.400 m de altura, no extremo sul da Patagônia chilena, cujo cume só foi alcançado antes duas vezes, em 1956 e 1995 (por italianos, na primeira, e australianos, americanos e ingleses, na segunda). Os montanhistas compartilham sua alegria pela façanha próxima, num acampamento que não podia ser mais despojado, no sopé da imensa montanha. Dia a dia, a espera é que se abra um daqueles raros dias de céu azul, imprescindível para iniciar a escalada, numa região em que chove 340 dias por ano, assolada por neves e ventos permanentes.
Há bem mais do que incertezas meteorológicas a temer. Uma frase de um dos alpinistas do grupo de apoio que os acompanha coloca à tona medos até ali bem escondidos e desencadeia um processo de desarticulação do projeto. Os próprios cineastas e os técnicos de filmagem, inesperadamente, tornam-se personagens de uma aventura que flerta com o fracasso e a decepção.
Se há uma qualidade a destacar no documentário é sua capacidade de entrar neste clima e não perder o pé da realidade, ainda que ela desintegre completamente o plano original. Esta é a maior prova da sintonia dos diretores com o gênero que abraçaram. Afinal, é da verdade, qualquer que ela seja, que se compõe a busca de qualquer documentário digno deste nome. As belas imagens da Patagônia chilena retratam a imensidão da natureza, o fascínio que exerce e a luta para conquistá-la, por parte dos homens. O filme venceu o prêmio máximo do Festival de Trento, dedicado a produções sobre montanhismo e aventuras.
Um destaque na ficha técnica é o nome do chileno Jorge Durán, cineasta e roteirista premiado no Festival de Brasília com A Cor de seu Destino (1986), que assina o roteiro desta filmagem.
