07/06/2026
Drama

Feche os Olhos

Jasiek (Zbigniew Zamachowski) é o vigia de um sítio quase abandonado e protetor da menina Mala e de um homem excêntrico, que todos consideram maluco. Os pais da menina, de classe média alta, querem a todo custo que ela volte para casa - mas ela recusa.

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O novo cinema polonês, que infelizmente, chega em tão pequenas doses às telas brasileiras, dá mostras de um viço e energia extraordinários, como neste trabalho de estréia do diretor Andrzej Jakimowski. Numa atmosfera que remete ao desolamento de um Paris, Texas, de Wim Wenders, o diretor e roteirista insere personagens deslocados. Um deles é o vigia Jasiek (Zbigniew Zamachowski, protagonista de A Igualdade é Branca). Ele vive numa fazenda estatal abandonada, tomando conta de sabe-se lá o quê, numa situação profissional kafkiana. A toda hora, desembarca por ali um burocrata insistindo em demiti-lo, ao mesmo tempo que garante que seu contrato não é válido.

As companhias de Jasiek são um cachorro e um homem tido como o bobo da região, sempre ocupado em impedir que a chuva molhe os misteriosos escritos que ele traça num chão de cimento. Ao trio, acaba de juntar-se a menina Mala (Ola Prószynska). Aos 11 anos, ela entrou em conflito com os pais de classe média alta, fugindo de casa depois do envolvimento com pequenos furtos. A única pessoa em que ela confia é Jasiek.

Há razões dentro da história para este afeto entre a menina e o vigia. Ele se torna o centro da delicada negociação que o pai e a mãe movem para recuperar a filha. Não acontece muita coisa, no sentido espetacular que se costuma atribuir à ação dentro de um filme. Ao mesmo tempo, ocorrem deslocamentos muito profundos entre todos estes personagens, envolvidos numa procura de reencontrar sua unidade.

O solitário vigia, anjo protetor da menina e do excêntrico, é ele mesmo um centro de ressonância dessa procura por um lugar no mundo, pelo respeito a uma identidade que nem sempre corresponde às expectativas sociais – elas mesmas, tantas vezes forjadas em rituais de aparência, sem atenção real aos sentimentos e opções das pessoas. Articula-se, nas entrelinhas, este divórcio entre os deserdados do comunismo decadente e os afluentes da nova ordem capitalista na Polônia (representados pelos pais de Mala), ele sempre permanece no fundo. Mais do que uma conclusão, o que a história procura e encontra é tomar o pulso do coração dos homens.

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