03/06/2026
Romance Musical Comédia

A Flauta Mágica

Depois de ser salvo do ataque de um dragão, o príncipe Tamino conhece uma rainha que llhe pede para salvar sua filha, capturada por um perigoso feiticeiro. Ele acaba se apaixonando pela moça, após ter visto um retrato, e decide salvá-la. Para isso, contará com a ajuda do medroso músico Papageno, que também está em busca de uma esposa.

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Aqueles que só conhecem o cinema mais denso do sueco Ingmar Bergman, em filmes como Persona, O Sétimo Selo e Gritos e Sussurros, terão uma grata surpresa ao se deparar com a versão filmada para ópera de Mozart, A Flauta Mágica. Produzido para a TV em meados da década de 1970, o filme é diversão e encanto do início ao fim – ainda que feito com pouco mais de 600 mil dólares, o que, mesmo para os padrões da época, era modesto.

Bergman não se contenta em apenas filmar uma versão da ópera A Flauta Mágica. Em muitos momentos, faz questão de lembrar que se trata de uma encenação, uma montagem. Durante a abertura, são mostrados diversos rostos na platéia. Em outro momento, entre os atos, os atores podem ser vistos nos bastidores, fumando o jogando xadrez. Além disso, a direção se mantém fiel às limitações técnicas e físicas que as montagens do século XVIII enfrentaram.

A Flauta Mágica é também uma fábula sobre o amor, as renúncias e os medos. E se, em alguns momentos, pode parecer uma história infantil, a ópera-filme consegue também se comunicar com o mundo dos adultos ao falar de temas pertinentes a essa esfera. O príncipe Tamino (Josef Köstlinger) é contatado pela rainha para salvar a princesa Pamina (Irma Urrila), que foi raptada por um feiticeiro.

Para resgatar sua amada – que ele conhece apenas por um retrato – ele conta com a ajuda do divertido músico Papageno (Håkan Hagegård), um covarde de bom coração que está em busca de uma mulher para namorar. Em pouco mais de duas horas, muitas coisas acontecem para mudar a vida da dupla.

A ópera foi montada pela primeira vez em 1791, em Viena, poucas semanas antes da morte de Mozart. Embora Don Giovanni seja a obra mais famosa do compositor, foi em A Flauta Mágica que ele deu vazão ao romantismo, criando uma música lírica e bela.

Para o filme, os atores fizeram uma gravação prévia das músicas. Depois, realizou-se uma sincronia durante a gravação das imagens. Mas o apuro técnico da produção leva a que se tenha a sensação de que os atores estão cantando a música no momento da gravação da cena. Neste filme, a ópera é cantada em sueco, e não em alemão.

Os figurinos (indicados ao Oscar) e a direção de arte fazem justiça às limitações que a primeira montagem enfrentou. Exatamente por esse fato, o cenário e os objetos de cena dão um ar de ópera de verdade à produção. Mesmo nos momentos em que o palco se expande e a platéia some, Bergman deixa claro que sua A Flauta Mágica é uma ópera que foi filmada. Essa é uma de suas maiores qualidades.

Em tempo: A Rainha da Noite, um trecho da ópera A Flauta Mágica, ficou popularizada entre os brasileiros na década de 1990, quando foi gravado por Edson Cordeiro, fazendo um dueto com Cássia Eller, que, por sua vez, cantava I can’t get no satisfaction, dos Rolling Stones.

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