04/06/2026
Drama Comédia

Um Dia Sem Mexicanos

Como num passe de mágica, os imigrantes mexicanos e seus descendentes começam a desaparecer na Califórnia. O estado entra num clima de caos, pois eram eles que faziam tudo. Porém, uma repórter filha de mexicanos pode salvar a todos e restabelecer a paz.

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O diretor Sergio Arau tinha basicamente uma idéia muito boa para fazer um curta-metragem com o seu Um Dia Sem Mexicanos. Misteriosamente, todos os mexicanos do estado da Califórnia desaparecem. Não é que eles não chegam para trabalhar no dia seguinte, não. Eles simplesmente se desintegram, viram poeira. E ninguém sabe explicar o porquê, ou para onde foram.

Enquanto isso, o estado é cercado por uma misteriosa neblina rosa que ninguém tem coragem de atravessar. Do outro lado dela (no México) pode estar a resposta para o estranho sumiço. A única mexicana a não evaporar é a repórter de TV Lila Rodriguez (Yareli Arizmendi, co-roteirista do filme). Ela passa a ser considerada como o elo perdido. Depois de sofrer um acidente, a moça vai parar no hospital com câmeras em seu quarto e transmissão ao vivo para a TV 24 horas por dia.

Enquanto isso, o estado da Califórnia se torna o caos total. Empregadas domésticas não aparecem para cozinhar e limpar casas, obrigando as madames a fazer o serviço. Os agricultores são obrigados a contratar norte-americanos para colher laranjas, mas eles não levam muito jeito. O lixo vai se acumulando, não há quem faça trabalhos braçais.

Lila, a repórter, é a última esperança. Um cientista (maluco) faz uma série de exames em busca de um fator genético, algo que explique o fato de ela não ter desaparecido e possa ajudar a trazer de volta os mexicanos. Grupos de apoio lançam campanhas na TV, em sites e criam-se ONGs. Mas nem todos se solidarizam. Muitos estão celebrando o fato de a ‘escória’ ter sumido de sua sociedade.

Enquanto vai pintando esse quadro da Califórnia sem mexicanos, Arau, Yareli e outro roteirista Sergio Gerrero se mostram bem ingênuos, pensando num mundo colorido e feliz onde mexicanos e norte-americanos convivem pacifica e harmoniosamente. Mesmo quando os chicanos desaparecem, o filme ainda está no terreno da inocência - ao menos é o que se espera.

Porém, na sua conclusão, Um Dia Sem Mexicanos desanda para um conformismo tolo que chega a insultar a inteligência – mesmo de quem não é mexicano. No fundo, segundo o longa, o que os latinos querem é apenar servir aos norte-americanos em paz.

No começo, Um Dia Sem Mexicanos até rende umas boas risadas. Mas no momento em que se começa a pensar no filme como instrumento de alienação e conformismo, o longa se torna desnecessário e surge até um sentimento de culpa por ter achado graça de um problema tão sério.

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