Enquanto isso, o estado é cercado por uma misteriosa neblina rosa que ninguém tem coragem de atravessar. Do outro lado dela (no México) pode estar a resposta para o estranho sumiço. A única mexicana a não evaporar é a repórter de TV Lila Rodriguez (Yareli Arizmendi, co-roteirista do filme). Ela passa a ser considerada como o elo perdido. Depois de sofrer um acidente, a moça vai parar no hospital com câmeras em seu quarto e transmissão ao vivo para a TV 24 horas por dia.
Enquanto isso, o estado da Califórnia se torna o caos total. Empregadas domésticas não aparecem para cozinhar e limpar casas, obrigando as madames a fazer o serviço. Os agricultores são obrigados a contratar norte-americanos para colher laranjas, mas eles não levam muito jeito. O lixo vai se acumulando, não há quem faça trabalhos braçais.
Lila, a repórter, é a última esperança. Um cientista (maluco) faz uma série de exames em busca de um fator genético, algo que explique o fato de ela não ter desaparecido e possa ajudar a trazer de volta os mexicanos. Grupos de apoio lançam campanhas na TV, em sites e criam-se ONGs. Mas nem todos se solidarizam. Muitos estão celebrando o fato de a ‘escória’ ter sumido de sua sociedade.
Enquanto vai pintando esse quadro da Califórnia sem mexicanos, Arau, Yareli e outro roteirista Sergio Gerrero se mostram bem ingênuos, pensando num mundo colorido e feliz onde mexicanos e norte-americanos convivem pacifica e harmoniosamente. Mesmo quando os chicanos desaparecem, o filme ainda está no terreno da inocência - ao menos é o que se espera.
Porém, na sua conclusão, Um Dia Sem Mexicanos desanda para um conformismo tolo que chega a insultar a inteligência – mesmo de quem não é mexicano. No fundo, segundo o longa, o que os latinos querem é apenar servir aos norte-americanos em paz.
No começo, Um Dia Sem Mexicanos até rende umas boas risadas. Mas no momento em que se começa a pensar no filme como instrumento de alienação e conformismo, o longa se torna desnecessário e surge até um sentimento de culpa por ter achado graça de um problema tão sério.
