Depois de um impressionante acidente envolvendo um gigantesco balão vermelho, Jed (Ifans) acredita que de alguma forma está conectado para sempre ao professor Joe – a quem ele nem conhece. Os dois tentavam ajudar a evitar a tragédia, nada além disso. Mas o rapaz acredita que aquele acontecimento deslanchou uma espécie de atração mútua entre eles. O que não é verdade, pois o outro está apaixonado por sua namorada Claire (Samantha Morton). Mas isso não impede a Jed de começar a perseguir Joe. O que no início parece ser apenas mais um caso de uma pessoa solitária, aos poucos vai se tornando uma obsessão perigosa.
O roteiro de Joe Penhall, baseado no livro homônimo do inglês Ian McEwan, vai concentrando-se nas pequenas crueldades de um amor não correspondido e como estas vão destruindo as duas partes dessa relação. O amor de Jed pelo professor é tão complicado quanto o de Joe e Claire. Em Amor Para Sempre não há espaço para as sutilezas do ato de amar. A dor e o amor se confundem como sensações parecidas e conflitantes ou complementares, às vezes.
Mas, Amor Para Sempre está longe de ser uma versão GLS de Atração Fatal sem a ‘sopa de coelho’. Enquanto o filme com Michael Douglas estava mais interessado na atração física e nas conseqüências de um momento, a produção britânica tem como foco uma atração (e repulsa) emocional que nunca se aventura no terreno da paixão física, sendo, dessa forma, muito mais doloroso.
A fotografia de Haris Zambarloukos privilegia os tons de verde, formando um contraste interessante com o vermelho-sangue do balão – o que não é nenhuma surpresa, afinal as duas cores são complementares. A sensação de claustrofobia do filme quase sempre em ambientes fechados aumenta ainda mais toda vez que a ação é deslocada para o campo aberto (onde aconteceu o acidente).
Essa é a segunda parceria entre Craig e o diretor. O primeiro filme da dupla foi Recomeçar (lançado diretamente em DVD no Brasil). Naquele filme o ator fazia um papel mais rústico, de um carpinteiro que seduz uma viúva e a ajuda a reencontrar o prazer de viver. Aqui, a presença intelectual é muito mais forte do que a física. É uma sedução mais sutil e psicológica. E Craig não decepciona.
Os personagens de Amor Para Sempre transitam por um mundo quase à parte – um ambiente mais deles do que do resto da humanidade. Parecem muitas vezes extremamente ensimesmados e mais apaixonados por si mesmos do que pelos outros – principalmente a personagem de Samantha. E ainda assim extremamente reais. Um fato raro no cinema dos últimos tempos.
