22/07/2026
Drama

As Vidas de Maria

Maria nasceu no mesmo dia que Brasília, 21 de abril de 1960. Estranhamente, sua vida parece ligada aos acontecimentos da cidade. Filha de migrantes, ela acaba sendo criada por um político rico. Com o tempo, irá se casar, mas será infeliz e vai buscar a felicidade com outra pessoa.

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A história da cidade de Brasília e da personagem central se confundem no drama As Vidas de Maria, de Renato Barbieri. O roteiro é assinado por Di Moretti (Cabra Cega), de um argumento original do diretor.

A história toda se gira em torno de uma frase dita pela protagonista. “De quantas vidas você precisa para ser feliz?”. O filme, não traz resposta, mas levanta uma outra questão em suas entrelinhas: “De quantas atrizes você precisa para interpretar o mesmo papel?”. Nesse caso, a resposta é quatro, mas nenhuma muito convincente.

A história começa com Maria (Ingra Liberato, que também é produtora do filme) se casando. Quando o padre faz a pergunta de praxe, ela titubeia antes de dizer o sim. Mas acaba aceitando o marido. Depois dos créditos iniciais, o filme começa a ser contado em ordem cronológica.

Maria nasceu no mesmo dia da fundação de Brasília, 21 de abril de 1960. Filha de migrantes, seu pai trabalhou na construção da capital e sua mãe morreu no parto. A menina (Giulia Dainez Roque) foi criada pelo pai com a ajuda do padrinho (Gésio Amadeu).

Quando o trabalho começa a diminuir na nova cidade, o pai vai embora para o norte e deixa a filha sob os cuidados do padrinho, motorista de um deputado rico. Maria (agora com 10 anos e interpretada por Ingrid Zago) acaba sendo adotada informalmente pelo político que lhe dá as mesmas regalias que ao filho.

É Sthefany Brito quem faz o papel de Maria na adolescência. Ela é muito próxima ao irmão adotivo, por quem acaba sendo estuprada. Depois que ele se envolve com outros problemas e deixa o país, a moça se torna ‘filha única’ e decide curtir a vida.

Agora adulta, os verdadeiros problemas de Maria estão só começando. Um fiasco na vida amorosa e sem uma profissão ou mesmo amigos, a mulher faz amizade com Tiago (Gustavo Melo), que, como ele mesmo se define, é minoria da minoria da minoria. Ou seja, gay, negro e nordestino. Agora, ela acredita que terá uma grande chance na sua vida.

Todo o roteiro do filme tenta traçar um paralelo entra a vida de Maria e de Brasília, mas sem nunca estabelecer uma relação de causa e conseqüência entre as duas. Além de nascerem no mesmo dia, a caminho de seu casamento, por exemplo, a moça cruza com uma manifestação de Diretas Já.

Logo após sua separação, conhece o amigo Tiago numa passeata de caras-pintadas pedindo o impeachment de Collor. E por aí vão os paralelos, que se revelam muito mais esquemáticos do que conseqüências naturais de um roteiro bem estruturado.

Nem a bela arquitetura de Brasília serve para salvar o longa. O elenco é todo mal dirigido, adotando um tom extremamente teatral. Muitas das situações são, no mínimo, risíveis e fora de cabimento. Para um filme que é, supostamente, sério, As Vidas de Maria produz uma série de reações que vão de meros risos a gargalhadas – todas involuntárias.

As Vidas de Maria marca a estréia de Barbieri na direção de ficção. Entre os seus trabalhos estão os documentários Terra de Quilombo – Espaços de Liberdade (02) e A Invenção de Brasília (01), que serviu de pesquisa para o roteiro e a direção de arte deste longa.

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