Não foi só no teatro de revista non-stop que o teatro, sob o comando de um diretor um tanto feroz, Vivian Van Damm (Bob Hoskins), inovou a cena britânica. A história registra uma façanha bem mais apimentada: seu palco foi o pioneiro na apresentação de atores nus do teatro britânico.
Decidida a transformar o Windmill numa bem-sucedida sucursal do cabaré parisiense Moulin Rouge, a sra. Henderson é quem decide despir as suas atrizes. Como a ousadia não é permitida, ela usa todo o seu prestígio de grande dama da sociedade e convence Lorde Cromer (Christopher Guest), que tem o poder de veto nas artes, a dar sua permissão. Seu cândido argumento: se as musas despidas não se moverem, não é teatro, é ‘arte”, exatamente igual aos modelos nus na pintura. Se a nudez é permitida assim nos museus, por que proibi-la no palco, desde que permaneça igualmente imóvel? O estratagema dá certo e lota a platéia do teatro – ainda que exija um grande imobilismo e às vezes algum contorcionismo de seu elenco principal.
Se há um porém no filme do experiente Stephen Frears é não ter ambicionado ir mais longe. Limita-se a retratar os conflitos entre a dupla principal de ótimos e renomados atores, Judi Dench e Bob Hoskins – que são sempre uma delícia de acompanhar. Em torno deles, há uma supersimplificação excessiva nos papéis do restante do elenco – desenvolve-se apenas uma história de uma atriz, mas ela acaba sendo excessivamente melodramática. O contexto da guerra e o próprio significado de manter o teatro aberto sob bombas também são delineados de forma um tanto ligeira, quase preguiçosa. Assim, torna-se apenas agradável um trabalho que poderia ser grande.
No Oscar 2006, o filme concorre em duas categorias: melhor atriz (Judi) e melhor figurino.
