06/06/2026
Drama Comédia

Sra Henderson Apresenta

Em 1931, Laura Henderson (Judi Dench) volta da Índia e enterra o marido em sua pátria, Inglaterra. Logo se desespera com o tédio de sua vida de viúva. Mas encontra um teatro fechado em Londres, decide comprá-lo e, com a ajuda de um diretor (Bob Hoskins), transforma-o num lugar de movimento e inovação.

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Ah, se todas as viúvas ricas e entediadas seguissem o exemplo de Laura Henderson (Judi Dench)! Em 1931, recém-chegada da Índia, de volta à Inglaterra, ela não se contenta em passear de carro, freqüentar chás e fazer caridade. Um dia, passeando no Soho londrino, avista um teatro fechado, compra-o e resolve fazer dele seu hobby. Sorte do vaudeville inglês, que ganhou no Windmill um endereço seguro por várias décadas, que não fechava as portas por nada no mundo. Nem mesmo os bombardeios que, na II Guerra Mundial, arrasaram Londres mas não o brio dos ingleses.

Não foi só no teatro de revista non-stop que o teatro, sob o comando de um diretor um tanto feroz, Vivian Van Damm (Bob Hoskins), inovou a cena britânica. A história registra uma façanha bem mais apimentada: seu palco foi o pioneiro na apresentação de atores nus do teatro britânico.

Decidida a transformar o Windmill numa bem-sucedida sucursal do cabaré parisiense Moulin Rouge, a sra. Henderson é quem decide despir as suas atrizes. Como a ousadia não é permitida, ela usa todo o seu prestígio de grande dama da sociedade e convence Lorde Cromer (Christopher Guest), que tem o poder de veto nas artes, a dar sua permissão. Seu cândido argumento: se as musas despidas não se moverem, não é teatro, é ‘arte”, exatamente igual aos modelos nus na pintura. Se a nudez é permitida assim nos museus, por que proibi-la no palco, desde que permaneça igualmente imóvel? O estratagema dá certo e lota a platéia do teatro – ainda que exija um grande imobilismo e às vezes algum contorcionismo de seu elenco principal.

Se há um porém no filme do experiente Stephen Frears é não ter ambicionado ir mais longe. Limita-se a retratar os conflitos entre a dupla principal de ótimos e renomados atores, Judi Dench e Bob Hoskins – que são sempre uma delícia de acompanhar. Em torno deles, há uma supersimplificação excessiva nos papéis do restante do elenco – desenvolve-se apenas uma história de uma atriz, mas ela acaba sendo excessivamente melodramática. O contexto da guerra e o próprio significado de manter o teatro aberto sob bombas também são delineados de forma um tanto ligeira, quase preguiçosa. Assim, torna-se apenas agradável um trabalho que poderia ser grande.

No Oscar 2006, o filme concorre em duas categorias: melhor atriz (Judi) e melhor figurino.

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