Falcão pode ser novo como cineasta, mas esta história ele conhece de cor. Vem de uma peça, que ele mesmo adaptou e dirigiu, a partir do livro escrito por sua mulher, Adriana Falcão. A intimidade com o material poderia ter resultado numa simples cópia dos textos originais. A boa notícia é que houve uma recriação, com total aproveitamento dos recursos que o cinema pode render, especialmente ao ser escorado numa produção de Diler Trindade, o bem-sucedido produtor dos filmes de Xuxa e Renato Aragão, e a Globo Filmes.
Nordestina é a cidade onde se ambienta a história. É o típico lugarejo onde ninguém fica, todo mundo parte. Menos Antônio (Gustavo Falcão), rapaz sonhador, que só tem olhos para a menina da outra rua, Karina (Mariana Ximenes).
Karina, no entanto, tem seus olhos voltados para longe dali. Quer ser atriz de televisão. Por isso, ensaia diariamente com Antônio e esta é a chance do rapaz de ficar bem perto de sua musa – que não repara o quanto ele está apaixonado. Mas chega o dia em que ela anuncia seu plano de ir embora, ao encontro do mundo. Antônio a faz ficar, em troca da promessa de que irá trazer esse mundo para ela.
A maneira como ele cumpre esta promessa é engenhosa e não deve ser inteiramente revelada aqui. Basta saber que a história remete à cidade grande e ao imenso poderio representado pela televisão. Antônio jura que irá ao futuro e emissoras de TV de todo mundo deslocam-se para Nordestina para assistir ao grande feito.
Uma das melhores sacadas do filme é a maneira como lida com o tempo e não perde de vista o poder da magia e da imaginação, numa história que não foi feita para crianças. Todo o artificialismo dos cenários (o filme foi quase todo feito em estúdio) e o uso da música são colocados a serviço da narrativa. De muitas maneiras, é um filme surpreendente, no melhor sentido.
Há que se destacar o alto quilate da equipe técnica – Walter Carvalho na fotografia; Marcos Pedroso na direção de arte; Kika Lopes no figurino; a trilha sonora de Robertinho do Recife e Chico Buarque de Holanda (que compôs a canção inédita, “Porque Era Ela, Porque Era Eu”. E agradecer o presente de ter Wagner Moura e Lázaro Moura, atores revelados na peça, fazendo pontas saborosas.
