O jovem Reda (Nicolas Cazalé) não tem a menor intenção de abandonar a sua vida por um tempo para seguir o pai em sua peregrinação, mas acaba sendo obrigado a fazê-lo. A amizade entre os dois é muito frágil e as horas que estão presos ao carro são quase intermináveis, sem ter o que conversar.
No entanto, ao longo dessa jornada, eles vão conhecendo pessoas, interagindo com estranhos que mudam o seu modo de ver o mundo, e, principalmente, vão conhecer melhor um ao outro. A idéia central do filme é até um clichê, já usado centenas de vezes. Mas a forma como Ferroukhi conduz os seus personagens e as situações traz um apelo emocional muito forte – sem tornar o filme piegas.
Os personagens que a dupla encontra em cada um dos paises que visitam, como Sérvia, Turquia e Síria, fornecem desde um alívio cômico até alguns dos momentos mais emocionantes, como a mulher que se instala no carro deles e não diz uma palavra.
No entanto, para o mundo ocidental, o grande momento do filme são as cenas rodadas em Meca. Essa foi a primeira ficção que teve autorização de gravar imagens na cidade sagrada para os muçulmanos. E o resultado é impressionante, quase inconcebível, para quem nunca foi lá.
Em Veneza, o diretor e roteirista disse que seu filme ‘é mais espiritual do que religioso e político. Eu queria fazer um trabalho universal e acessível a todos. É um tributo aos meus pais e aos muçulmanos dos quais nunca ouvimos falar nada no mundo ocidental”. E foi o que conseguiu.
