03/07/2026
Drama

A Grande Viagem

Quando um muçulmano idoso descobre que tem pouco tempo de vida, decide visitar Meca. Como ele não gosta de aviões, obriga o seu filho a levá-lo de carro. O rapaz vai a contragosto pois não quer abandonar a sua vida e os amigos. Durante a jornada, eles vão estreitar os laços de amizade entre pai e filho.

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O marroquino Ismaël Ferroukhi estréia como diretor de longas com A Grande Viagem, que foi premiado no Festival de Veneza de 2004, com o troféu Luigi De Laurentiis. O roteiro, escrito pelo cineasta, começa com um homem idoso (Mohamed Majd) que acredita não ter muito tempo de vida e, antes de morrer, quer cumprir sua promessa de visitar Meca. No entanto, nega-se a ir de avião. A viagem da França à Arábia Saudita deve ser feita de carro, pois ele não gosta de avião, mas também não dirige, o que irá acarretar que seu filho o acompanhe.

O jovem Reda (Nicolas Cazalé) não tem a menor intenção de abandonar a sua vida por um tempo para seguir o pai em sua peregrinação, mas acaba sendo obrigado a fazê-lo. A amizade entre os dois é muito frágil e as horas que estão presos ao carro são quase intermináveis, sem ter o que conversar.

No entanto, ao longo dessa jornada, eles vão conhecendo pessoas, interagindo com estranhos que mudam o seu modo de ver o mundo, e, principalmente, vão conhecer melhor um ao outro. A idéia central do filme é até um clichê, já usado centenas de vezes. Mas a forma como Ferroukhi conduz os seus personagens e as situações traz um apelo emocional muito forte – sem tornar o filme piegas.

Os personagens que a dupla encontra em cada um dos paises que visitam, como Sérvia, Turquia e Síria, fornecem desde um alívio cômico até alguns dos momentos mais emocionantes, como a mulher que se instala no carro deles e não diz uma palavra.

No entanto, para o mundo ocidental, o grande momento do filme são as cenas rodadas em Meca. Essa foi a primeira ficção que teve autorização de gravar imagens na cidade sagrada para os muçulmanos. E o resultado é impressionante, quase inconcebível, para quem nunca foi lá.

Em Veneza, o diretor e roteirista disse que seu filme ‘é mais espiritual do que religioso e político. Eu queria fazer um trabalho universal e acessível a todos. É um tributo aos meus pais e aos muçulmanos dos quais nunca ouvimos falar nada no mundo ocidental”. E foi o que conseguiu.

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