O diretor e roteirista Pablo José Meza é dado a usar planos longos. Como seus jovens atores não têm muita experiência, à medida em que a cena avança eles vão ficando mais perdidos em seqüências que recusam o corte. Não havia necessidade dessa ousadia técnica, uma vez que o principal do filme é o conteúdo humano.
O cinema argentino se ergueu nos últimos anos em cima de histórias humanistas que privilegiam o drama interior de seus personagens à ação. Aqui não é diferente. A narrativa faz a crônica de um verão de um grupo de cinco amigos adolescentes – cada um com seus problemas.
Um deles não gosta da escola técnica que o pai o obriga a freqüentar. Outro não percebe que o comportamento da mãe é o tema das fofocas da cidadezinha onde moram, que fica a cem quilômetros de Buenos Aires. Um terceiro menino sonha para que o pai fique rico e compre uma casa na capital. Outro amigo desconfia que pode ser adotado. E o último tem pouca atenção dos pais, e não é raro que fique fechado para fora de casa.
Pouca coisa parece acontecer na vida deles, mas acontece muito mais do que eles desconfiam. A descoberta do amor, a fuga da realidade e as primeiras responsabilidades são os contatos que eles começam a ter com o mundo adulto. Tudo isso tentando fugir do tédio de uma cidade entregue ao marasmo.
Meza conta tudo isso com muita delicadeza e carinho. Porém, não se importa muito em trazer a sua platéia para dentro do filme – quando, na verdade, deveria fazer o oposto. Os seus planos longos, que pedem a competência de seus atores, ficam cada vez menos interessantes.
Poucos momentos emergem como reais de Buenos Aires 100km. O único deles é uma partida de futebol quase no final do filme. Parece que nessa hora ele deixou os garotos serem o que são (apenas meninos), jogarem bola e esquecer da câmera. Pena que para as outras cenas não fez a mesma opção.
