30/07/2026
Drama

Outra Memória

Para comemorar o aniversário de Blumenau (SC), um diretor começa a montar uma peça. Um dos atores começa a subverter o tom oficial da produção ao introduzir temas sobre os quais a princípio muitos não querem discutir, como a matança de índios pelos colonizadores e o nazismo.

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Como em todo o Brasil, a história de Santa Catarina está centrada na imigração européia, conflitos étnicos e sociais, além de uma torrente de omissões ideológicas e inverdades oficiais. Mas bastam cinco personagens em um teatro para o cineasta Chico Faganello trazer à tona todo o cipoal histórico que permeia o passado catarinense.

Acostumado a produções educativas com forte cunho social, Faganello consegue com poucos elementos e analogias simples desvendar os mitos sulistas e desperta ainda mais incógnitas sobre a região. Um imbróglio em que movimentos nazistas, dizimação de índios e preconceito são apenas o pano de fundo.

Tudo se baseia na enigmática personalidade da atriz brasileira Edith Gaertner. Filha de imigrantes alemães, ela se torna um sucesso nos palcos europeus até se refugiar no sul do país, onde nasceu, ainda na década de 20. O diretor a usa como um espelho que reflete as outras histórias, cingindo todos os elementos da conturbada colonização da região.

No entanto, a trama tem realmente início no palco – supostamente em um momento atual -, onde um diretor tenta encenar sua peça para festejar o aniversário de Blumenau. Ela deve conter todo o espírito empreendedor do catarinense e a pujança da colonização alemã. Para isso, pretende usar a poderosa imagem de Edith e chama uma jovem atriz de TV para interpretá-la.

Enquanto ensaiam, o ator convidado para personificar o colonizador do início do século XX começa a subverter a peça para conquistar o papel de protagonista. E, para mostrar que ele está com a razão, traz ao palco todo o mal do passado catarinense, que ainda é evitado na região. Afinal, quem é mais importante nesta história, uma atriz no meio do mato ou aquele que possibilitou que isso ocorresse, ao vencer as ameaças da selva (índios são um bom exemplo)?

Como um tema transversal, a história da atriz entra na órbita dos cinco personagens que se alternam em uma narrativa não-linear com diálogos que alternam o tom, ora agressivos do ator (Ivo Müller), ora sorumbáticos do diretor da peça (Borges Garuva).

Um dos pontos fortes desta produção são as imagens de época que complementam a narrativa. Imagens restauradas pela America´s Film Conservancy, ONG americana cuja missão é promover o desenvolvimento e preservação dos filmes latino-americanos como recurso cultural. Imagens inéditas, que podem ajudar os brasileiros a entenderem um pouco mais de sua história, em especial, aqui, os catarinenses.

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