15/06/2026

Amigo é pra essas coisas

Um jovem franco-polonês se envolve num acidente de carro, e vai preso. É liberado com uma condição: encontrar um emprego. Mas quando consegue trabalho, descobre que precisará de uma habilitação, e para conseguir esta precisa de diploma escolar -- que ele não tem. Para resolver todo esse problema, contará com ajuda de seus amigos.

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Um das decisões mais acertadas do diretor francês Pierre Jolivet foi deixar que o roteiro de seu filme passasse pelo crivo de seu filho adolescente antes de começar a rodar a produção. Explica-se: ao tratar do universo juvenil do país, nada mais natural que ele tentasse retratar com fidelidade não apenas os problemas inerentes à idade, mas também todas as formas modernas de lidar com eles.

O cineasta, mais conhecido pela colaboração nas produções do irmão, Marc Jolivet, conseguiu assim, chamar a atenção para a juventude francesa, ao focar em quatro pontos principais: a xenofobia, a inserção no mercado de trabalho, a marginalização e o uso de drogas. Tudo sob a consultoria de Adrien Jolivet, que acabou conquistando o papel principal e assina a trilha sonora, e de seu amigo Yannick Nasso, também chamado para integrar o elenco.

Como o próprio título já entrega, a história segue a amizade de quatro jovens vizinhos. Os problemas começam quando um deles (Zim, o filho de um polonês com uma francesa) se envolve em um acidente de trânsito e vai preso. Será solto com uma condição: que encontre um emprego fixo em um mês. Mas, como se sabe, emprego não é lá tão fácil. A única oportunidade que encontra está condicionada a ter uma carteira de motorista, um automóvel próprio e o diploma de conclusão escolar. O que, claro, ele não tem.

Esse é ponto de partida para a mobilização dos quatro amigos em busca de um carro (ou 'rodas', como eles falam) e dos documentos necessários para conquistar o emprego. E, como já é de se imaginar, nenhum dos personagens pensa em fazer filas em bancos, ir a concessionárias ou realmente concluir o segundo grau. Tudo cheira a farsa e embuste nas transações desses jovens.

A produção torna-se no fim a imagem de seus personagens: viva, moderna, colorida, reforçada com uma montagem jogada, ágil e, enfim, jovial e dinâmica. Tudo alimentado por uma acertada trilha sonora. Sem dúvida, o trabalho na criação dos protagonistas foi tão adequado quanto a interpretação do elenco. Cheb, o árabe (Mhamed Arezki), Arthur, o negro (Yannick Nasso) e a rebelde Safia (Naidra Ayadi), não são apenas personagens, mas um reflexo oportuno da sociedade francesa.

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