21/07/2026
Documentário

Meu Encontro com Drew Barrymore

Desde pequeno, Brian Herzlinger tem uma paixonite por Drew Barrymore. Quando ganha um prêmio num programa de TV, ele resolve tentar marcar um encontro com ela e documentar sua jornada com uma câmera digital.

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Agradeça à chamada democracia digital toda vez que entrar em cartaz nos cinemas um filme que mais parece um vídeo caseiro. Se não fosse pelo fácil acesso às câmeras digitais, Meu Encontro com Drew Barrymore não teria acontecido. Culpe os fabricantes desses equipamentos toda vez que uma sala de exibição colocar em sua programação imagens que deveriam ficar confinadas à sala de estar e só receber os sorrisos amarelos de amigos e parentes que assistem por educação.

Praticamente todo mundo tem na adolescência uma paixonite por um astro do cinema, da televisão, da música. Mas, normalmente, isso está superado antes de chegar à idade adulta. O que não foi o caso do norte-americano Brian Herzlinger, que se apaixonou por Drew Barrymore quando eles tinham 6 anos e ela participou de E.T. – O Extraterrestre. Desde então, ele parece ter desenvolvido uma obsessão por ela – embora insista que não há nada de psicótico nisso. Nada muito perigoso, aparentemente. Sem emprego e perspectivas e tentando capitalizar em cima de sua deusa, com a ajuda de dois amigos, ele decide fazer um documentário sobre suas tentativas de ter um encontro com a atriz.

Com pouco dinheiro, Herzlinger, e seus amigos, Jon Gunn e Brett Winn (que co-assinam a direção), ‘compram’ uma câmera digital numa loja norte-americana que mantém a política de troca em 30 dias e o seu dinheiro de volta. Por isso, eles têm um mês para finalizar o projeto.

Começa o calvário em busca de alguém que conheça alguém que conheça alguém que possa levá-lo até Drew – são os tais seis graus de separação, que, no caso, às vezes chegam a sete ou oito. O caminho é difícil, mas não impossível. Amigos de amigos o colocam em contato com gente de cinema que conhece a atriz. E-mails são peças- chave. Enquanto isso, Herzlinger vai se preparando para o encontro, gravando ensaios para estudar como agir caso vença em sua empreitada.

Figura simpática mas irritante, Herzlinger tem um ego que rivaliza apenas com o de Timothy Treadwell, estrela de outro documentário, esse bem melhor, O Homem- Urso. Meu Encontro com Drew Barrymore consiste, na maior parte do tempo, no diretor-protagonista escalando os seis graus de separação para chegar mais perto de sua musa. Algumas pessoas acreditam no possível sucesso. Como a mãe dele, que o aconselha a não ter um relacionamento sério com a atriz, porque uma revista a chamou de ‘vagabunda’.

Na sua cruzada em busca da auto-realização, Herzlinger parece ter os melhores amigos do mundo, que o bancam e apóiam incondicionalmente. Essa festa de auto-indulgência é que coloca o filme no purgatório dos vídeos caseiros que não interessam a ninguém, além do protagonista. Egomaníaco, Michael Moore também é boa parte do tempo, mas seus resultados, por mais tendenciosos que sejam, são mais abrangentes.

Morgan Spurlock e seu Super Size Me - A Dieta do Palhaço havia feito algo parecido: uma idéia óbvia, mas que ninguém havia pensado antes. Ele também, diferente de Herzlinger, tem algum resultado interessante. Aqui, perde-se a chance de abordar algo que valha a pena. Ao público, especialmente o não-norte-americano, resta um curioso retrato da América que precisa de seus ídolos para sobreviver – o que não é nenhuma novidade.

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