Praticamente todo mundo tem na adolescência uma paixonite por um astro do cinema, da televisão, da música. Mas, normalmente, isso está superado antes de chegar à idade adulta. O que não foi o caso do norte-americano Brian Herzlinger, que se apaixonou por Drew Barrymore quando eles tinham 6 anos e ela participou de E.T. – O Extraterrestre. Desde então, ele parece ter desenvolvido uma obsessão por ela – embora insista que não há nada de psicótico nisso. Nada muito perigoso, aparentemente. Sem emprego e perspectivas e tentando capitalizar em cima de sua deusa, com a ajuda de dois amigos, ele decide fazer um documentário sobre suas tentativas de ter um encontro com a atriz.
Com pouco dinheiro, Herzlinger, e seus amigos, Jon Gunn e Brett Winn (que co-assinam a direção), ‘compram’ uma câmera digital numa loja norte-americana que mantém a política de troca em 30 dias e o seu dinheiro de volta. Por isso, eles têm um mês para finalizar o projeto.
Começa o calvário em busca de alguém que conheça alguém que conheça alguém que possa levá-lo até Drew – são os tais seis graus de separação, que, no caso, às vezes chegam a sete ou oito. O caminho é difícil, mas não impossível. Amigos de amigos o colocam em contato com gente de cinema que conhece a atriz. E-mails são peças- chave. Enquanto isso, Herzlinger vai se preparando para o encontro, gravando ensaios para estudar como agir caso vença em sua empreitada.
Figura simpática mas irritante, Herzlinger tem um ego que rivaliza apenas com o de Timothy Treadwell, estrela de outro documentário, esse bem melhor, O Homem- Urso. Meu Encontro com Drew Barrymore consiste, na maior parte do tempo, no diretor-protagonista escalando os seis graus de separação para chegar mais perto de sua musa. Algumas pessoas acreditam no possível sucesso. Como a mãe dele, que o aconselha a não ter um relacionamento sério com a atriz, porque uma revista a chamou de ‘vagabunda’.
Na sua cruzada em busca da auto-realização, Herzlinger parece ter os melhores amigos do mundo, que o bancam e apóiam incondicionalmente. Essa festa de auto-indulgência é que coloca o filme no purgatório dos vídeos caseiros que não interessam a ninguém, além do protagonista. Egomaníaco, Michael Moore também é boa parte do tempo, mas seus resultados, por mais tendenciosos que sejam, são mais abrangentes.
Morgan Spurlock e seu Super Size Me - A Dieta do Palhaço havia feito algo parecido: uma idéia óbvia, mas que ninguém havia pensado antes. Ele também, diferente de Herzlinger, tem algum resultado interessante. Aqui, perde-se a chance de abordar algo que valha a pena. Ao público, especialmente o não-norte-americano, resta um curioso retrato da América que precisa de seus ídolos para sobreviver – o que não é nenhuma novidade.
