20/07/2026
Comédia Aventura

Bandidas

Depois de perderem suas famílias e terras, Sara (Salma Hayek) e Maria (Penélope Cruz) se unem para assaltar os bancos norte-americanos no México e distribuir os lucros aos menos favorecidos.

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O francês Luc Besson (O Profissional) parece não ter mais o menor apreço pelo seu nome. Na comédia pseudo-latina Bandidas, ele aparece como roteirista. Aqui, o filme ganha dimensões de mundo global, ao ser escrito por um francês e um americano, dirigido por dois noruegueses, protagonizado por uma mexicana e uma espanhola, com uma história que se passa no México, mas cheira como o Velho Oeste americano – tudo isso assinado por um produtor nascido na Tunísia. O resultado independe da nacionalidade para ser considerado ruim, porém.

Ao colocar Salma Hayek (Frida) e Penélope Cruz (Tudo Sobre Minha Mãe) lado a lado para protagonizar um filme, o mínimo que pode se esperar é que elas incendeiem a tela. Mas não é bem isso que acontece – boa parte por culpa do roteiro sem graça, charme ou inteligência, co-escrito por Robert Mark Kamen. Além disso, o filme esbarra num pseudo-feminismo que apenas masculiniza suas personagens, que conseguem se sair bem apenas pensando e agindo como homens.

Salma é Sara, uma moça rica que volta à terra natal depois de estudar na Europa. Vivendo longe da realidade mexicana, ela não sabe pelos problemas que seu país tem passado. Já Maria, o personagem de Penélope, é uma moça pobre, uma camponesa. Os caminhos das duas se cruzam quando elas têm suas famílias assassinadas e suas terras roubadas. Involuntariamente acabam formando uma dupla para assaltar bancos e redistribuir o dinheiro aos pobres – com a ajuda de um padre. Essa é a parte do filme que quer remeter a Robin Hood, à Inglaterra – cortesia de um mundo global.

Como não são muito boas como bandidas, resta a Sam Shepard (que parece ter assumido o papel de cowboy de vez), um fora-da-lei aposentado, ensiná-las como se rouba um banco, como se trabalha em dupla. Como só isso não segura uma hora e meia de filme, há também uma trama envolvendo um especialista norte-americano em desvendar crimes, feito por Steve Zahn, que mais passa vergonha (em alguns momentos sem roupa) do que melhora alguma coisa no filme. Como ele vê que as moças são ladras-de-bom-coração, acaba tomando o partido delas.

Bandidas é, ou pensa ser, em sua essência uma comédia – seguindo a gramática dos westerns norte-americanos, com alguns momentos Matrix, para agradar aos mais jovenzinhos. O problema é que nunca consegue se firmar em nenhuma das vertentes. Não é uma comédia engraçada, nem um filme de mocinho e bandidas empolgante, nem um romance. Se pisar no terreno das relações políticas, então, o longa fica pior ainda. A visão que a produção tem das relações entre EUA e México beira um paternalismo que só seria possível em novelas mexicanas, tamanha a ingenuidade. Aliás, Bandidas não seria tão embaraçoso se fosse um produto da Televisa para passar no horário nobre do SBT – porque aí todos saberiam o que esperar.

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