Dirigido por Matthew O'Callaghan, George, O Curioso retoma os dias gloriosos da Disney, quando as animações não precisavam de uma história ultra-sofisticada, cheia de referências à cultura pop, piadas de duplo sentido e agradar aos adultos. Aqui, o que vale é o apelo lúdico, uma diversão mais ingênua, que nem se preocupa com a obsessão pelo politicamente correto – o que é até um aspecto subversivo do longa, porque não?
Seguisse a cartilha dos bons costumes, o macaquinho George e um ídolo pré-histórico africano não poderiam ser tirados de seu habitat natural e levados para Nova York, onde o segundo, é instalado num museu. Aqui, a maior preocupação é entreter seu público infantil. E cumpre esse objetivo ao usar personagens cativantes, cores fortes e canções de fácil apelo, cantadas pelo astro pop Jack Johnson.
Há umas referências à cultura pop aqui e ali, mas muito pouco, se comparado às animações recentes, como Shrek e Carros, por exemplo. A sombra de King Kong paira o tempo todo sobre George, O Curioso. Afinal, ambos tratam de um símio descobrindo a selva de pedra. Mas a relação, em um dado momento, se materializa quando George acidentalmente usa um equipamento para projetar uma imagem gigantesca de si mesmo, resultando em transtorno para os moradores de Nova York e diversão do público.
Numa época em que a diversão dos mais pequenos é dominada pelas tecnologias caras e sofisticadas, George, O Curioso vai no sentido oposto. É como um pião ou uma pipa ao lado de um videogame – à primeira vista pode parecer démodé, mas tem lá os seus encantos. Basta saber encontrá-los.
