Dirigido pelo francês Alexandre Aja, que assina o roteiro com Grégory Levasseur, Viagem Maldita é um remake de Quadrilha de Sádicos, que Wes Craven (aqui assinando como produtor), fez no final dos anos 70. Como todo bom filme do gênero, ambos são comentários meio alegóricos sobre algo mais pertinente. Como no mais recente filme de George Romero, Terra dos Mortos, este longa pode ser visto como uma metáfora da relação entre os Estados Unidos e o resto do mundo, ou mesmo a relação entre os norte-americanos dentro de seu país.
De um lado está uma família de classe média viajando de trailer pelo interior dos EUA, rumo ao oeste. De outro, estão humanos que sofreram mutações e vivem escondidos, destruindo todos aqueles que invadem seu território. Rapidamente, boa parte da família parte para o outro mundo. Aqueles que sobram tentam defender suas vidas da melhor maneira possível – e não existem muitas formas. Presos no meio do deserto do Novo México, com pouca comida, sem carro ou telefone, resta-lhes apenas correr ou matar. Basta dizer, que eles não têm para onde correr.
Aja dirige com precisão e não poupa a violência gráfica e o sangue. Algumas cenas impressionam, mas surtem o efeito desejado. O homem se transforma segundo as necessidades. O maior pacifista pode se tornar um sanguinário se defender a sua vida o pedir. O cachorro mais fofinho pode se transformar num lobo para defender a sua vida e de seu dono.
Ao lado do remake de O Massacre da Serra Elétrica, o longa de Aja mostra, também, que o tempo a tudo transforma. O que era underground nos anos 70, material que grandes estúdios não bancariam, se torna matéria-prima para grandes corporações de Hollywood faturarem em cima. Mudam-se os tempos, mas o público continua querendo o mesmo: catarse cinematográfica. Nesse sentido, Viagem Maldita é sintomático.
