Demi é Rachel Carlson, uma escritora norte-americana radicada na Inglaterra que vive do sucesso de seus livros, que, embora não pareçam ser muito sérios, ganham diversos prêmios. Escritora à moda antiga, abomina o computador e fica esfolando os dedos na máquina de escrever arcaica. Isso já é um problema do filme, tentar convencer que uma pessoa que mal parece saber colocar o papel na máquina, escreveu livros enormes.
Isso é o de menos. O enredo perde o respeito de vez depois que o filho pequeno de Rachel morre afogado e ela tenta superar o drama se isolando numa casa à beira-mar, na Escócia, onde seu único vizinho é um farol a milhas de distância. Como todo bom escritor com bloqueio criativo, a moça vai fazer pesquisa no tal farol para o próximo livro, pelo qual receberá uma grande fortuna. Porém, suas lembranças do filho não a abandonam e ela começa a ter visões envolvendo o garoto.
Como um fantasma só é bobagem, mais tarde, Rachel conhece o rapaz que cuida do farol, que, como ela descobre depois, se suicidou há quase dez anos, depois de matar sua mulher e o amante dela. Conclusão: Demi se apaixona, pela segunda vez em sua carreira, por um fantasma (provavelmente uma fantasia recorrente). Ou, simplesmente está enlouquecendo. Senhoras e senhores, façam suas apostas.
Escrito e dirigido pelo australiano Craig Rosenberg, Protegida por um Anjo é um daqueles filmes que fazem pouco da inteligência de sua platéia, com um roteiro fraco, sem coerência e soluções visualmente pobres. A questão central é resolvida meia-hora antes do última cena, tornado a parte final mais enfadonha e previsível do que tudo que se viu até então. A conclusão é sem sentido – embora nada do que tenha sido visto antes tenha qualquer lógica. Talvez buscando recompensar os fãs da atriz, o longa mistura referências a outras obras das quais participou. Além de Ghost, também há momentos A Letra Escarlate e Sobre Ontem à Noite.
Demi More precisa mais do que da proteção de anjos. Talvez um exército inteiro de criaturas divinas consiga amenizar esse desastre de seu currículo. Na verdade, ela precisa ressuscitar sua carreira. Já o público não precisa nem mesmo crer em fantasmas para ter certeza de que está diante de um filme natimorto.
